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Revista denuncia crise na Igreja Mundial do Poder de Deus

“Dívidas, calotes e traição” teriam desequilibrado as contas

por Jarbas Aragão


A revista ISTO É desta semana traz como matéria de capa uma abrangente análise do que pode estar acontecendo nos bastidores da Igreja Mundial do Poder de Deus, liderada por Valdemiro Santiago.

Entre as muitas acusações, afirma-se que a igreja enfrenta uma crise financeira causada por “Quadrilhas de pastores ladrões, dívidas milionárias com as tevês, administração amadora e investimentos equivocados na construção de grandiosos templos”.

A denominação que mais cresce no Brasil, estaria vivendo a maior crise da sua história. Entre os fatos que colaboram para essa conclusão está a campanha recente para que os fiéis pudessem doar R$ 21 milhões. O valor seria para pagar compromissos com as emissoras de TV.

Segundo a ISTOÉ, a Mundial devia R$ 8 milhões ao Grupo Bandeirantes referentes ao mês de setembro. E para outubro a dívida se aproximaria de R$ 13 milhões. Quando a Igreja Universal do Reino de Deus tentou ficar com os horários na madrugada da Band e a grade diária do canal 21 do mesmo grupo, a IMPD se viu em situação difícil.

“Pegaram a gente em um momento de fraqueza”, afirma um líder da IMPD. “Gastamos R$ 300 milhões com templos ultimamente e vivemos um tempo de estruturação e amadurecimento.”

Ao mesmo tempo, Valdemiro é investigado pelo Ministério Público e a Polícia Civil de São Paulo. O semanário afirma que desde janeiro deste ano, diligências feitas pelo Grupo Especial de Delitos Econômicos (Gedec) e pela Divisão de Investigações sobre Crimes contra a Fazenda, da Polícia Civil, procuram comprovar um suposto crime de lavagem de dinheiro e ocultação de bens, direitos ou valores.

O início da investigação foi a repercussão da compra de uma imensa fazenda em Santo Antônio do Leverger (MT), onde milhares de cabeças de gado são criados. A reportagem da Rede Record na época gerou uma guerra de acusações entre a IURD, controladora da emissora, e a IMPD.

Em 2009, a denominação contava com 500 templos. Hoje são mais de cinco mil, segundo seus membros. Mas a crise instaurada no momento seria gerada pelo desvio de cerca de 30% dos recursos arrecadados.

“Por mês, R$ 30 milhões saem pelo ralo”, afirmou um líder da IMPD no Rio de Janeiro. Embora a revista não divulgue seu nome, reproduz acusações sérias. Seriam quadrilhas de pastores que se apropriam das doações.

“Há dois anos e meio, por exemplo, o Valdemiro descobriu uma dessas quadrilhas no ABC paulista liderada pelo bispo e por seus auxiliares e os expulsou”, explica. Ele vai mais além, relatando que a conta corrente impressa em muitos dos carnês distribuídos nos templos não são da igreja, mas sim deste grupo de pastores mal-intencionados.

A ISTOÉ também relata falas de um líder da igreja em São Paulo, segundo as quais havia um desses grupos agindo próximo a Josivaldo Batista de Souza, o número 2 da Mundial. “Ele se deu conta de que o problema advinha da concentração de poder em torno dessa turma. Era gente pedindo avião para fazer não sei o quê, para ter programa na televisão não sei onde, para abrir igreja em um grotão aí…”. Após isso, Josivaldo foi transferido para Lisboa. Em seu lugar, ficou o bispo Jorge Pinheiro, marido da irmã da sua esposa Franciléia.

Um dos primeiros passos na reestruturação foi entregar os horários alugados pela igreja na Rede TV! e na CNT. Também abriu mão de alugar espaço em dezenas de retransmissoras de diferentes estados e adiou o projeto de ocupar espaço em tevês da Argentina, Colômbia e do México.

Uma das opções para se reequilibrar financeiramente, seria negociar as duas Cidades Mundiais, os megatemplos da IMPD, em São Paulo e no Paraná que foram fechados pelos órgãos públicos locais. “A Cidade Mundial paulista está fechada desde fevereiro de 2012. Mas Valdemiro, todo mês, tem de pagar R$ 5 milhões das parcelas da compra dela”, disse o bispo paulista. O deputado estadual Rodrigo Moraes (PSC-SP), ligado à IMPD foi designado para fazer “a coisa caminhar” junto aos órgãos públicos. “Não recebi o comando de parar o trabalho ainda. Mas a vontade do apóstolo é que fala mais alto”, afirmou à ISTOÉ.

Além disso, os templos pequenos deixariam de existir. “Cerca de 15% deles tiveram de ser fechados ou reestruturados”, diz uma liderança da igreja. Muitos templos da IMPD estariam com problemas com aluguel atrasado ou ações de despejo em curso na Justiça.

“Esses problemas diminuíram 70% nos últimos tempos”, afirma Dênis Munhoz, advogado e também vice-presidente da Mundial. Ele nega que a denominação vive uma crise e, pelo contrário, continua crescendo em todo o país. Em relação às denúncias de “quadrilhas de pastores”, explica que a igreja sempre tomou as providências rapidamente, quando foi necessário.

O presidente da IMPD, o deputado federal José Olímpio (PP-SP), comentou a questão dos aluguéis atrasados: “Estamos pagando muitas prestações, os valores de aluguéis aumentaram, temos muitas obras em andamento e acabou atrasando alguma coisa. Aí, deixa de pagar um mês e vira um problema para a mensalidade seguinte”.

Procurado pela ISTOÉ, Valdemiro não se manifestou.

O jornal Estado de São Paulo publicou hoje a notícia que será leiloado pela Receita Federal, o jatinho Falcon 900, usado pela Igreja Mundial do Poder de Deus, com valor estimado de R$ 22,5 milhões. Trata-se de um dos nove jatinhos apreendidos na Operação Porto Seguro, em parceria com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, em 2012. O esquema denunciado envolvia a compra de aeronaves de luxo no exterior sem pagamento de impostos no Brasil.

Os jatos foram comprados, segundo as investigações, de maneira irregular no exterior e trazidos para o Brasil sem pagamento de impostos. Na época, o pastor Santiago negou que fosse o dono da aeronave, alegando que o jato era emprestado.


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