sociedade
“Acho que Deus tem algum plano pra mim”, disse Nem seis dias antes de ser preso
Uma semana antes de ser preso ele concedeu uma entrevista onde afirmava seu envolvimento com evangélicos
Em uma entrevista concedida para a jornalista Ruth de Aquino, da Revista Época, Antônio Francisco Bonfim Lopes, mais conhecido como Nem, falou que tem uma forte ligação com Deus, que lê a Bíblia todos os dias e que sabe que não irá para o inferno.
Nem era o traficante mais procurado pela Polícia carioca, há pelo menos seis anos eles estavam tentando capturá-lo até que na madrugada da última quinta-feira, 10, ele foi preso em uma operação na Rocinha.
A entrevista foi concedida no dia 4 de novembro, mas só foi divulgada na sexta-feira, e revela a personalidade oposta ao que todos esperam de um traficante de drogas. Suas crenças também entraram na pauta e ele surpreendeu a jornalista ao falar que tem ligação com Deus.
“Não vou para o inferno”, acredita ele dizendo que sempre lê a Bíblia e que tenta impedir que garotos entrem para o crime. “Faço cultos na minha casa, chamo pastores. Mas não tenho ligação com nenhuma igreja. Minha ligação é com Deus”, diz ele.
Nem conta para a Ruth Aquino que aprendeu a rezar quando era criança, que foi seu pai quem o ensinou. “Aprendi a rezar criancinha, com meu pai. Mas só de uns sete anos para cá comecei a entender melhor os crentes. Acho que Deus tem algum plano para mim. Ele vai abrir alguma porta”.
Quem intermediou a entrevista foi justamente um pastor, que não teve o nome revelado. A jornalista narra que assim que chegou ao encontro o traficante conversou com o pastor a respeito de um usuário de drogas que ele mesmo encaminhou para receber tratamento na igreja.
“Pegou ele pastor? Não pode desistir. A igreja não pode desistir nunca de recuperar alguém. Caraca, ele estava limpo, sem droga, tinha encontrado um emprego… me fala depois”, disse ele ao pastor sobre um garoto de 22 anos que se viciou em drogas.
Nem tem 37 anos e entrou no mundo do crime depois que sua filha (ele tem sete filhos, dois são adotivos) ficou muito doente. “Ela tinha 10 meses e uma doença raríssima, precisava colocar cateter, um troço caro, e o Lulu (ex-chefe) me emprestou o dinheiro. Mas prefiro dizer que entrei no tráfico porque entrei. E não compensa”, disse.
Leia a reportagem pelo link: revistaepoca.globo.com
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