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Missionária brasileira comenta situação atual na Síria

Muitos não apoiam Bashar al-Assad e também não estão satisfeitos com a ação dos rebeldes

por Leiliane Roberta Lopes


Raquel Elana, 40 anos, é uma missionária brasileira que está há seis meses na Jordânia ajudando refugiados que deixaram a Síria, país vizinho, tentando fugir da guerra civil que já deixou mais de 100 mil mortos.

Ela tem atuado no maior campo de refugiados, são 120 mil sírios que encontraram abrigo em Zaatari. “Eu atendia cerca de cem famílias por mês, fornecendo cestas básicas, remédios e conforto espiritual”, disse ela ao Portas Abertas.

Muitas ONGs e instituições assistencialistas prestam apoio aos campos de refugiados da Jordânia, mas a quantidade de pessoas acaba impedindo que todas sejam atendidas. “Dentro do campo há várias organizações não governamentais, mas, mesmo com a ajuda, muitos saem de lá porque vivem sem ter o que comer ou o que vestir”, disse a missionária.

A ONU (Organização das Nações Unidas) diz que pelo menos 30% dos mais de dois milhões de sírios estão se refugiando em campos, encontrando uma vida bem difícil nos países vizinhos.

A Jordânia, assim como a Síria, é um país predominantemente muçulmano, Raquel explica que ali ela está como voluntária e não como missionária. “Eles pensam que nosso objetivo é a conversão, o que não é verdade”, esclarece.

Sírios e jordanianos aprenderam a viver com o medo, mas nenhum deles querem a guerra, pelo contrário, boa parte não apoia Bashar al-Assad, porém evita receber ajuda dos rebeldes. A missionária brasileira diz que muitos dos refugiados estão depressivos. “O povo chora muito pela destruição da Síria. Estão revoltados com os dois lados”.