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Pastores afirmam que David Yonggi Cho foi enganado pelo filho

Amigos de pastor acusado de desvio insistem que ele foi enganado

por Jarbas Aragão


Aos 78 anos de idade, a notícia de que o pastor David Yonggi Cho foi condenado a prisão por desvio de dinheiro surpreendeu grande parte da comunidade cristã mundial. Conhecido por seus livros e por ter fundado a maior igreja do mundo (em membros), Cho estava afastado do púlpito há cinco anos.

Os 12 milhões dólares desviados da igreja através de uma compra fraudulenta de ações acabou levando o pastor e seu filho Hee-Jun, aos tribunais sul-coreanos.

Contudo, vários pastores estão saindo em defesa de Cho. Bob Rodgers, pastor do Centro de Oração Evangélico Mundial, no Kentucky, é um amigo íntimo de Cho há mais de 30 anos. Ele emitiu uma “carta aberta” dando maiores detalhes sobre o caso, pois acredita que muitas informações erradas foram divulgadas.

Hee-Jun é o filho mais velho de Cho, ele foi julgado no mesmo dia e condenado a três anos de prisão. Saiu do tribunal diretamente para a penitenciária e já cumpre a pena.  Para Rodgers, ele é culpado de ter enganado o pai.

“Cho tem três filhos. O segundo e o terceiro são muito ativos no trabalho dos ministérios ligados à Igreja. Mas o filho mais velho sempre deu trabalho. Foi casado quatro vezes e se envolveu em escândalos sexuais com mulheres famosas na Coreia…  Além disso, já havia cumprido pena por fraudes na área de investimentos e peculato. Sua vida de escândalos sempre foi uma vergonha para sua família e a igreja.”, assevera o pastor Rodgers.

Foi Hee-Jun quem vendeu para a igreja 250.000 ações com preços quatro vezes maior que o valor de mercado. Isso foi em 2002, Cho ainda era o pastor da igreja. Confiar na palavra do filho foi o grande erro. David não leu as centenas de páginas de documentos, apenas apresentou ao conselho da igreja e assinou o papel. “Ele nunca recebeu qualquer dinheiro da transação”, esclarece o pastor Rodgers, que está pedindo que as pessoa não julguem um homem de Deus que foi enganado pelo filho.

No entanto, o Ministério Público da Coreia do Sul, apresentou uma versão diferente na qual um grupo de líderes da Igreja de Yoido estaria ciente e seria cúmplice do esquema. Eles afirmam que o pastor Cho tentou com isso ajudar o filho a recuperar as grandes perdas que teve no mercado de ações.

Para Rodgers a maior prova de que há um grande engano é o fato de Cho viver uma vida simples, num apartamento de 300 metros quadrados, cedido pela igreja. Ele sequer possui um carro e pode comprovar que doou pessoalmente à igreja mais de US$ 170 milhões nos anos que a liderou.

Do outro lado do mundo, em Taiwan, reside Mao Song Chang, pastor da Top Church, localizada em Nova Taipei. Ele também é um velho conhecido de Cho e de sua igreja. Esta semana, Chang veio a público contar que um ancião da igreja de Yoido o procurou recentemente para aconselhamento sobre o caso. Pouco tempo depois, o pastor Lee, que hoje lidera a igreja também o visitou.

Para Chang está havendo um julgamento precipitado. É preciso que se divulgue que, ao saber que a igreja estava entrando com um processo contra Cho, acusando-o de desviar US$ 20 milhões, “o pastor Cho ajoelhou-se diante da congregação e pediu desculpas, admitindo o seu erro e de seu filho, lamentando ter causado danos à igreja”, escreveu.

Em segundo lugar, Chang disse que durante o processo cerca de 1.000 outros líderes da igreja foram ouvidos e testemunharam que Cho é inocente. Apenas 30 dos líderes mais antigos, afirmavam que o pastor estava envolvido. Por fim, ressaltou Chang, o juiz teria feito uma proposta para que Cho acusasse o próprio filho, pois não havia provas para incriminar Cho, contudo Hee-Jun já estava condenado.  A resposta de Cho foi a recusa: “Meu filho pode ter sido injusto comigo, mas eu não posso ser injusto com meu filho”.

No final, ressaltou Chang, a maior prova de que existe algo errado é que, mesmo condenado, Cho não cumprirá pena na cadeia. Ele pediu para pregar e se explicar diante da igreja no último domingo. Em seu sermão, Cho afirmou que o dia mais difícil de seus 50 anos de ministério foi a última quinta-feira, quando ouviu a decisão do tribunal.

“Através desse sofrimento, eu aprendi uma grande lição. Não devemos dedicar tanto tempo procurando por posses… status, fama, autoridade, dinheiro… todas essas coisas podem ser perdidas… Mantenho minha fé em Deus, que justifica os pecadores através de Jesus Cristo. Se Deus me levar, eu ainda poderei entrar para o Reino de Deus”, afirmou Cho.


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