Abbas usa “Jesus palestino” para criticar reconhecimento de Jerusalém

Presidente da Autoridade Palestina recebeu apoio de líderes católicos e ortodoxos


Mahmoud Abbas
Mahmoud Abbas

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, divulgou nesta sexta-feira (22) uma carta aberta com uma mensagem natalina. Durante visita à França, ele disse que gostaria de mandar uma mensagem a todos os cristãos do mundo.

No documento assinado por ele, escreveu: “Nesta época do ano, as almas de milhões de pessoas se voltam para Belém para celebrarem o nascimento de Jesus Cristo, o mensageiro do amor, da paz e da justiça. Belém, o berço da esperança, continua sendo afetada pelas políticas israelenses. Infelizmente, os EUA decidiram premiar essas políticas, reconhecendo Jerusalém como capital de Israel”.

Além disso, argumenta “Enquanto a administração dos EUA decidiu recompensar a injustiça e ameaçar quem não os apoiará, continuaremos nosso caminho para a liberdade e a independência. Somos inspirados pela mensagem de Jesus, que recusou a injustiça e espalhou sua Palavra de esperança”.

Abbas também citou a Bíblia dizendo: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão saciados”. Referindo-se ao presidente Trump, acrescentou: “As ameaças contra aqueles que apoiam a justiça receberão o mesmo espírito e a mesma resposta de nossa nação e dos milhões de pessoas dignas ao redor do mundo”.

O líder palestino insistiu ainda que os EUA reconhecendo Jerusalém foi “um insulto para milhões de pessoas em todo o mundo e também para a cidade de Belém”. Segundo ele, isso gera “uma desconexão entre as cidades sagradas de Belém e Jerusalém, separadas pela primeira vez em mais de 2000 anos de cristianismo”.

Em seguida, sugeriu que “o futuro das igrejas [em Jerusalém Oriental] estão sendo ameaçados pelo ocupante [Israel] e grupos de fundamentalistas sionistas”. O discurso de Abbas, como sempre, é carregado de distorções e exageros. “Nós pedimos aos cristãos do mundo que escutem as verdadeiras vozes dos cristãos que vivem na Terra Santa. As mesmas vozes que rejeitaram fortemente o reconhecimento dos EUA de Jerusalém como a capital de Israel através dos líderes de suas igrejas. Eles são os descendentes dos primeiros seguidores de Jesus Cristo e parte integrante do povo palestino”.

Abbas concluiu dizendo: “Vamos resgatar a mensagem de esperança que veio de uma gruta humilde em Belém e trabalharmos para um futuro melhor, onde a liberdade derruba a opressão, onde falamos a verdade, onde a paz, a justiça e a convivência prevalecem sobre a ocupação, o apartheid e exclusividade e onde as energias são direcionadas para a construção, não para destruição”.

Atualmente, Belém fica na Cisjordânia, território controlado pelos palestinos. Graças a essa condição geográfica, em vigor desde 1967, Abbas e outros líderes islâmicos insistem que Jesus era “da Palestina”, embora nunca tenha existido um país com esse nome na história.

Chama a atenção que novamente Abbas tenta falar em nome dos cristãos. Em diferentes pronunciamentos, como o que fez na cúpula da Organização para a Cooperação Islâmica, ele insistiu que Trump estava entregando Jerusalém para os israelenses, que iriam impedir o livre acesso aos lugares sagrados de muçulmanos e cristãos, embora não exista nada nesse sentido por parte do governo israelense.

Enquanto ele propagava esse discurso vitimista na Europa, diante de agências de notícias que o transmitiram por todo o globo, centenas de palestinos viviam mais um “dia de fúria”, em diversos confrontos com as forças de segurança de Israel, com pedras, coquetéis molotov e ameaças de morte. O saldo foram dois mortos e dezenas de feridos.

Apoio dos líderes cristãos

A retórica de Abbas é uma amplificação do que ele disse no dia 18, quando se reuniu com os principais líderes cristãos palestinos. Estavam presentes autoridades católicas e ortodoxas. Entre os muitos elogios que recebeu por sua postura contra Israel, o presidente da AP ouviu de Teófilo I, patriarca da Igreja Ortodoxa de Israel e da Palestina que o governo palestino “fortalece a presença dos cristãos na Terra Santa” e colocou a Igreja do Santo Sepulcro no mesmo patamar do Monte do Templo, que precisariam ser “protegidos” por ele e pelo rei Abdullah, da Jordânia.

Dentre os cerca de 5 milhões de habitantes da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, apenas 70 mil são cristãos. Há constantes relatos de intolerância religiosa por parte dos extremistas islâmicos, estando o país na 23ª posição no ranking de perseguição da Missão Portas Abertas. Com informações Jerusalém Post




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