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Asia Bibi é libertada, mas seu paradeiro é desconhecido

Cristã foi inocentada das acusações de “blasfêmia”, mas radicais muçulmanos pedem sua morte


Asia Bibi
Asia Bibi

A cristã paquistanesa Asia Bibi passou 8 anos no corredor da morte. Ele estava em uma solitária desde 2010, após ser condenada por “blasfêmia”. Mãe de cinco filhos, foi denunciada por vizinhas que a acusavam de ter insultado o Islã e Maomé durante uma discussão. Segundo relatos, ela teria dito que “Jesus era maior” que o profeta dos muçulmanos.

O caso vem se arrastando desde então e grupos extremistas foram às ruas pedir sua execução imediata por enforcamento diversas vezes. O processo judicial mostrou-se falho, com total falta de provas sendo apresentado contra ela. Os juízes se basearam somente na palavra das mulheres muçulmanas.

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Após chegar até à Suprema Corte do Paquistão, sua pena foi anulada em 31 de outubro. Somente após um acordo do governo com os radicais é que os protestos pararam.

Asia Bibi foi libertada na noite desta quarta-feira (7), mas o Ministério das Relações Exteriores garante que ela continua no país.

Contudo, ela pediu asilo para a Holanda, juntamente com o marido e as duas filhas. O pedido foi apresentado por seu advogado Saiful Malook, que fugiu do Paquistão no início desta semana para a nação europeia após receber ameaças de morte.

Um porta-voz do Ministério do Exterior holandês disse à CNN que a família de Bibi só poderá apresentar um pedido de asilo quando estiver em solo holandês. “O caso de Asia Bibi tem a maior atenção do nosso governo”, acrescentou o porta-voz.

No momento, toda a família está em um lugar seguro, esperando uma oportunidade para deixar o Paquistão. Mohammad Faisal, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Paquistão afirmou que nada a impede de sair do país nas próximas horas. “Este é um país livre. Ela é uma cidadã livre. Ela pode ir aonde quiser. Ninguém pode se opor a isso”, garantiu. Por conta das ameças de novos protestos de radicais, o governo paquistanês vem evitando dar detalhes do paradeiro dela no momento.

Histórico de mortes

Desde 2015 o caso de Asia Bibi estava na Suprema Corte do país. Os juízes concordaram em estudar sua apelação, mas ficou paralisado devido às ameaças de morte.

Finalmente, em 8 de outubro deste ano o processo foi retomado e foi evidenciado mostrado que havia muitas contradições nas declarações das testemunhas. Insatisfeitos, milhares de islâmicos radicais tomaram as ruas exigindo seu enforcamento. As manifestações, convocadas pelo partido político Tehreek-e-Labaik (TLP), paralisaram o país durante três dias.

O caso da cristã sempre provocou indignação internacional, mas no Paquistão tornou-se uma “questão de honra” para facções e partidos islâmicos e resultou no assassinato de pessoas ligadas à defesa dela.

Um deles foi do ex-governador de Punjab, Salman Tasir, que aconteceu em 2011. Depois de defender publicamente Asia Bibi, ele foi morto pelo seu próprio guarda-costas, Mumtaz Qadri. Com informações das agências



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