Bancada evangélica aposta em “distritão” para crescer

Mudança no sistema eleitoral ajudaria candidatos com base já formada


Bancada evangélica aposta em "distritão" para crescer

As pretensões da bancada evangélica de consolidar suas pautas aumentam a cada eleição. Para 2018, o número de deputados e senadores ligados a igrejas poderá crescer por conta da provável aprovação do chamado “distritão”.

Embora os números sejam divergentes, com alguns deputados tendo abandonado o bloco nos últimos anos, ele tinha em 1994 21 membros, quadruplicou, chegando a cerca de 85 (16,5%) dos 513 deputados atuais.

O atual presidente da Frente Parlamentar Evangélica, pastor Hidekazu Takayama (PSC-/PR), admite que a meta é superar os 20% da Casa (103 deputados). Um dos fatores que pode ajudá-los a conseguir isso é a aprovação das novas regras eleitorais, que suprimem o sistema proporcional vigente.

Com ou sem “distritão”, um aumento já era esperado para o ano que vem, acompanhando o crescimento desse segmento da população brasileira (menos de 10% no começo dos anos 1990 para 30% hoje).

“A maior parcela [dos deputados evangélicos] prefere o ‘distritão'”, assegura Takayama à Folha de São Paulo.

Também é favorável à mudança o ex-deputado Robson Rodovalho, bispo da Sara Nossa Terra, que acredita que no sistema atual “a galera suja entra com pouco voto”. Ecoa esse discurso o presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Vida e da Família, pastor Alan Rick (PRB-AC), para quem essa proposta “favorece o fortalecimento da representatividade popular”.

Contudo, a ideia não encontra unanimidade entre o segmento. O deputado federal Ronaldo Fonseca (Pros/DF), que trabalha pela criação do Partido Republicano Cristão, e o Pastor Everaldo, presidente do Partido Social Cristão (PSC), entendem que o “distritão” não teria grande impacto no bloco evangélico.

Seguem o raciocínio do pastor Silas Malafaia: “O evangélico que é popular não depende do ‘distritão’. Para ele tanto faz, vai entrar de qualquer jeito”. Dá seu irmão de exemplo: Samuel Malafaia (PSD) foi o quarto deputado estadual mais votado no Rio.

Atualmente, todo voto em um candidato também conta para o partido ou a coligação. Surgem assim os “puxadores de votos”, como Tiririca que, por causa do grande número de votos, ajudam a eleger outros que não receberam votação expressiva.

Essa nova fórmula serviria para eleger ao Congresso quem tiver melhor desempenho nas urnas. Isso provavelmente manteria o cargo dos políticos que são bem conhecidos do público e abrirá caminho para a eleição de personalidades e quem possui forte apoio popular, como é o caso de muitos líderes religiosos.

O professor de sociologia da USP Ricardo Mariano assevera que “os evangélicos levariam vantagem por serem conhecidos –incluindo aí as celebridades gospel e os televangelistas –, disporem de muitos recursos financeiros, de acesso facilitado a mídias eletrônicas”, fora que não são poucos os pastores capazes de “influenciar o voto de parte de seus adeptos”.

O jornalista Janio Freitas, especializado em política, escreveu em sua coluna na Folha de São Paulo: “os evangélicos recebem as condições para compor, também na Câmara, a bancada mais poderosa como número de votos unificados. A mais propensa força a definir votações, portanto”.

STE contra os pastores

Por conta desse raciocínio, o presidente do Superior Tribunal Eleitoral (STE), Gilmar Mendes, já declarou que os magistrados estão estudando uma cláusula que impediria o uso do poder econômico e a influência das igrejas nas eleições.

Comentando a decisão do Supremo Tribunal Federal em vetar doações empresariais, Mendes foi incisivo: “hoje quem tem dinheiro? As igrejas. Além do poder de persuasão. O cidadão reúne 100 mil pessoas num lugar e diz ‘meu candidato é esse’. […] Se disser que agora o caminho para o céu passa pela doação de R$ 100?”.




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