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Bispo luterano critica visão “apocalíptica” de evangélicos sobre Jerusalém

Presidente da Federação Luterana Mundial acusou evangélicos pró-Israel de não representarem o "verdadeiro cristianismo”.


Munib Younan e o Papa Francisco
Munib Younan e o Papa Francisco

Um influente bispo luterano criticou a visão “apocalíptica” sobre Jerusalém defendida por evangélicos que esperam uma grande guerra e destruição na região como cumprimento das profecias sobre a segunda vinda de Jesus Cristo.

Munib Yunan é bispo da Igreja Luterana da Jordânia e da Terra Santa desde 1998 e presidente da Federação Luterana Mundial. Ele esteve com o rei Abdullah II, durante uma reunião de líderes cristãos e islâmicos, onde todos criticaram a decisão do presidente dos Estados Unidos, em reconhecer Jerusalém como a capital de Israel. Também acusou os evangélicos pró-Israel de não representarem o “verdadeiro cristianismo”.

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Para ele, o respeito ao “status quo histórico” de Jerusalém é necessário. Insistiu que, embora grupos cristãos importantes, incluindo o Vaticano e o Conselho Luterano Internacional, estejam defendendo a paz, outros só querem ver profecias apocalípticas.

“Nós também enfrentamos alguns grupos cristãos que veem os acontecimentos no Oriente Médio e Jerusalém a partir de uma visão apocalíptica estreita”, reclamou o bispo. Ele não poupou críticas aos que pensam assim. “Este grupo, que se chamam de evangélicos, são os que politizam a religião e fazem da política sua religião. Infelizmente, eles veem as guerras, problemas, crise humanitária dos imigrantes, destruição e a injustiça no Oriente Médio apenas como sinais da segunda vinda do Messias”.

Segundo Yunan continuou: “No entanto, nós, os verdadeiros [cristãos], incluindo os árabes que creem, discordamos completamente na letra e no espírito com esses grupos cristãos que não apoiam a justiça e que defendem cenários irreais e distorcidos sobre o Oriente Médio”.

Embora reconheça que essa perspectiva dos evangélicos tenha “influência” não só nos Estados Unidos, mas em vários outros países, acredita que eles são “representantes do extremismo religioso e político”. “Esses grupos não compreendem a justiça nem se preocupam com os direitos humanos”, asseverou.

Além disso, o líder luterano acusou os evangélicos de “abusarem dos ensinamentos da Bíblia e de Cristo” através de uma “interpretação literal e equivocada” das Escrituras.

“Assim como o rei Abdullah lembrou que os grupos terroristas não representam o verdadeiro Islã, classificando-os de khawarej [fora da lei], nós, cristãos árabes, rejeitamos esses grupos cristãos que não defendem a Bíblia nem Cristo. Para nós, eles são khawarej, os foras da lei da igreja”, disparou.

As críticas dos líderes luteranos e anglicanos se somam a dos ortodoxos e católicos que procuraram o rei da Jordânia, considerado o guardião dos lugares sagrados do islamismo em Israel, em especial o Monte do Templo. Curiosamente, eles afirmam que o monarca jordaniano também cuida dos lugares sagrados do cristianismo. Com informações de Christian Post



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