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Brasileiros do Estado Islâmico planejavam atentado no carnaval

Grupo tinha planos de formar célula no país e recrutar jihadistas


Estado Islâmico
Estado Islâmico

O Ministério Público Federal denunciou 11 brasileiros por formação de organização criminosa e promoção do Estado Islâmico no país. Para o MPF, além de planejar atentados terroristas no Brasil, o grupo tinha planos de formar uma célula do EI e tentar recrutar jihadistas para se juntar ao grupo terrorista na Síria.

O jornal O Estado de São Paulo teve acesso à denúncia. Ela é resultado da Operação Átila, da Polícia Federal. O inquérito serviu de base para a acusação do MPF. Cinco dos envolvidos também respondem pelo crime de corrupção de menores, que teriam sido recrutados pelo grupo. A denúncia tem como base conversas que eles mantinham em grupos criados no WhatsApp, interceptados pela polícia.

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Segundo a denúncia do MPF, um dos grupos identificados foi criado para promover atividades terroristas e era “destinado a discutir a criação de uma célula no Brasil”. O título dessa comunidade virtual, que tinha 43 integrantes, era “Estado do Califado no Brasil”. Outras comunidades tinham mais de 200 participantes.

A maioria dos envolvidos não se conhecia pessoalmente. Todos são acusados de promover o terrorismo ao disseminar mensagens extremistas, vídeos com execuções e propaganda do EI.

Em depoimentos à polícia, alguns disseram que se comunicavam com simpatizantes e membros de organizações terroristas em países como Síria, Turquia, Líbia, Afeganistão e Estados Unidos. Outros envolvidos relataram conversas a respeito da organização da célula e treinamento de facções paramilitares no País, o que também consta em diálogos obtidos pela PF após a apreensão de celulares.

Atentado no Brasil

Segundo o Ministério Público Federal, alguns dos acusados planejavam um atentado terrorista no Brasil. Entre as evidências estão instruções para a fabricação de explosivos, encontradas no celular de Welington Costa do Nascimento, que está preso. Outro indício seria uma troca de mensagens pelo celular entre Jonatan da Silva Barbosa e o peruano Brian Alvarado, que não está entre os suspeitos. No diálogo, eles discutem um ataque no carnaval.

Na conversa, Brian sugere uma ação no Rio inspirada no ataque à Ponte de Londres, em 2017, quando três terroristas do EI atropelaram e esfaquearam pedestres na capital britânica, matando oito pessoas e ferindo 48.

As interceptações captaram ainda uma conversa entre Welington e Kleiton França Nogueira, um dos 11 réus. No diálogo, eles mencionam o sequestro de turistas com a intenção de trocar por presos da Al-Qaeda. Welington tem ligação com mussalas (salas de oração islâmicas) cariocas. Kleiton é de Jacarepaguá, bairro na Zona Oeste do Rio. Na denúncia, apresentada pelo procurador Divino Donizette da Silva, além da transcrição das conversas, o MPF apresenta os prints das mensagens.

Início das Investigações

As investigações começaram em novembro de 2016, após a divisão antiterrorismo da Polícia Federal receber um comunicado da Guarda Civil da Espanha. No documento, a polícia espanhola informava que números de telefones brasileiros estavam em grupos do aplicativo WhatsApp suspeitos de “promover, organizar ou integrar” o Estado Islâmico.

Dois réus passam por avaliação de saúde mental. Um deles tem sintomas de esquizofrenia diagnosticados desde a infância e histórico de surtos psicóticos. Outro passava por um tratamento com antidepressivos no ano passado, quando foi preso, e teve seu interrogatório com a polícia interrompido após dar “declarações desconexas que evidenciam confusão mental”, segundo consta no depoimento. Ele frequentava o Centro de Atenção Psicossocial de Candeias, na Bahia.

Ambos são acusados, assim como os demais, de promover organização terrorista e corromper menores de idade, mas os dois casos foram desmembrados por decisão da Justiça – e estão suspensos até que uma perícia determine se eles têm condições de responder pelos próprios atos.

A denúncia contra o grupo foi aceita pela Justiça Federal de Goiás no dia 30 de abril, dando início ao processo penal. Como os envolvidos vivem em sete Estados diferentes, cada um deve receber uma comunicação judicial das comarcas de suas cidades, para tomar ciência da acusação formalmente.




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