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Candidatos “liberais” tentam aproximação com eleitorado evangélico

Com quase 30% dos votos do País, segmento tem histórico de apoios a presidentes


Flávio Rocha e Robson Rodovalho
Empresário Flávio Rocha, pré-candidato à Presidência da República pelo PRB, participa de culto evangélico. (Foto: Carla Eleonora Ribeiro/Divulgação)

O segmento evangélico, que é 27% dos eleitores do país – ou cerca de 39,5 milhões de pessoas –  está sendo procurado pelos presidenciáveis, de olho em outubro. Como já ocorreu em outras eleições, muitos estão visitando igrejas, participando de cultos e dizendo ter afinidades, mesmo que isso nem sempre seja verdade.

A junção de pensamento econômico “liberal” com a defesa de valores morais, que são essencialmente religiosos, que foi abertamente defendida pelo pastor Everaldo, candidato à presidência pelo PSC em 2014, prece estar fazendo escola este ano.

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Alguns dos chamado candidatos liberais, que estão estacionados nas pesquisas com cerca de 1% das intenções, parecem acreditar que o apoio de evangélicos lhe daria condições de crescer nos futuros levantamentos da intenção de voto.

Segundo a cientista social Maria das Dores Machado, coordenadora do Núcleo de Religião, Gênero, Ação Social e Política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o apoio de líderes religiosos pode ser “fundamental” para que os fiéis façam suas escolhas.  É comum que os candidatos sejam apresentados na igreja, embora isso nem sempre significa apoio oficial.

“Muitas pessoas vão conhecer o candidato naquele espaço, que não é como na TV, no comício ou na rua. Cria uma empatia maior a partir dessa apresentação”, afirma Machado. “Essa oportunidade que ele consegue através do pastor, de se apresentar como alguém idôneo, que vai resolver os problemas, é muito importante.”

A história recente do país mostra que essa é uma relação complexa. Em 2002, vários pastores fizeram campanha para Lula e hoje reconhecem que estavam errados em defender uma candidatura de esquerda.

Já em 2010, alguns dos líderes religiosos que defendiam o nome de Dilma Rousseff, uma ateísta que mudou o discurso somente na campanha, depois fizeram campanha em prol do impeachment da ex-presidente.

Cultos e busca da bancada evangélica

O ex-ministro Henrique Meirelles, pré-candidato do MDB, já vinha participando de encontros e se aproximando de líderes da Assembleia de Deus, mesmo antes de ser oficialmente lançado. Recentemente, participou de uma convenção da denominação em São Paulo.

“Eles (os fiéis evangélicos) têm demonstrado aceitação bastante grande em torno das políticas de austeridade fiscal, de equilíbrio das contas públicas”, afirmou Meirelles ao Estado de São Paulo, insistindo em sua principal plataforma eleitoral, a econômica.

Outro que demonstra interesse nessa relação é o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que aposta no apoio dos deputados evangélicos de seu partido, o DEM.  Suas tentativas anteriores não foram bem-sucedidas. Em 2016, quando fez campanha para a presidência da Câmara, enfrentou resistência de parte da bancada religiosa por ter feito o requerimento de urgência na votação do projeto de lei que criminaliza a homofobia. Mesmo assim, recebeu o aval de líderes influentes como R. R. Soares, Valdomiro Santiago e Silas Malafaia.

Contudo, a menção de seu nome em delações da Lava Jato seriam um impeditivo para qualquer apoio de líderes religiosos que se declaram abertamente contra a corrupção.

O empresário Flávio Rocha, pré-candidato pelo PRB, é o único que teria identificação com o meio evangélico. Além de estar em um partido que tem laços com a Igreja Universal, ele é fiel da Sara Nossa Terra. A igreja é presidida pelo bispo Robson Rodovalho, que também é presidente da Confederação dos Conselhos de Pastores do Brasil.

“O evangélico é mais de um terço da população e não pode ser misturado com a vala comum do eleitorado. Ele é mais cioso dessa inversão de valores”, avalia Rocha, lembrando que existe um movimento “gramsciano” –  referência ao filósofo marxista italiano Antonio Gramsci, – criado para minar os valores da sociedade.

Crescimento da Bancada Evangélica

Um levantamento do antropólogo Ronaldo de Almeida, pesquisador da Unicamp, mostra que em 2014 foram eleitos 72 deputados que usaram a religião como parte da campanha, o que representa 14% dos 513 deputados.

Para Almeida, “A relação entre igrejas e partidos está cada vez mais profissionalizada. Tudo indica que teremos um cenário de manutenção ou até aumento nas eleições de 2018”. Essa projeção de crescimento já vem sendo divulgada pela própria bancada, que planeja eleger 150 deputados e 15 senadores em 2018.

A cientista social Maria das Dores Machado, lembra que o “fenômeno” do voto evangélico não é só brasileiro. Em várias partes do mundo eles são cada vez mais decisivos. O caso mais recente é o da Costa Rica, quando o deputado evangélico Fabrício Alvarado chegou ao segundo turno das eleições presidenciais e quase venceu.

Seu partido, o então nanico Restauração Nacional, saiu de um deputado – o próprio Alvarado – para 14 na eleição de abril, totalizando um quarto das 53 vagas do Congresso. Com informações Estadão



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