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Cientistas usam computadores para tentar entender o papel da religião na sociedade

Simulações virtuais avaliaram como a fé influencia o comportamento humano


Imagem: Pexels

Quando ocorre um desastre, as pessoas seguidamente recorrem à religião para encontrar consolo e apoio. O estudo “Faith after a Earthquake” [Fé depois do Terremoto], conduzido pelos cientistas neozelandeses Chris Sibley e Joseph Bulbulia tentou identificar como isso ocorre no cérebro humano.

Eles avaliaram o aumento na frequência às igrejas na cidade de Christchurch, Nova Zelândia, após o grande terremoto de 2011, que causou grande destruição na ilha. Com o passar do tempo, as coisas voltaram ao ritmo normal e a religião voltou a entrar em declínio na cidade, seguindo uma tendência identificada os últimos anos naquele país.

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Todos os dados foram inseridos em um programa de computador, para tentar identificar um padrão. Eles fizeram uma comparação de dados sobre “valores e crenças religiosas”, tirado de um estudo divulgado em 2009. Contrastando com um levantamento de 2011, após o desastre natural, os resultados mostraram que as pessoas que viviam perto do terremoto se tornaram mais religiosa, pelo menos por algum tempo.

Existem modelos computacionais para simular a complexa mente humana. É bastante comum que engenheiros da computação façam experiências virtuais. O Projeto Modeling Religion , da Universidade de Boston (EUA) em parceria com a Universidade de Agder, na Noruega usou inteligência artificial para tentar avaliar como as sociedades mudam quando sob grande stress. Os dados da experiência na Nova Zelândia são apenas parte dele.

“Nosso estudo partiu do entendimento de que muitos aspectos da vida humana, incluindo a religião, são sistemas extremamente complexos. Atividades individuais, emoções e crenças religiosas têm efeitos de longo alcance. Coletivamente, eles influenciam tendências globais, como mudanças no poder político, declarações de guerra ou a própria organização da civilização”, explica Wesley Wildman, professor de Teologia que atua como consultor no projeto.

Ele revela que os dados coletados pelos pesquisadores sugerem que as pessoas recorrem à religião em situação de estresse, pois “procuram conforto e proteção quando estão com medo”. Uma série de simulações realizadas pelo sistema de inteligência artificial apontou que “os desastres ambientais afetaram a convicção religiosa. A presença de perigo, como terremotos ou surtos de doenças, mexeram como o mundo virtual do modelo[…]”.

Apesar de todo o esforço e da alta tecnologia usada, ficou evidenciado que a religião é algo “unicamente humano” e nem mesmo a inteligência artificial avançada consegue prever totalmente a extensão de sua influência. Mesmo assim, a conclusão é que, diante do desconhecido e da possibilidade da morte, a opção humana mais previsível é a busca de segurança, algo que as igrejas conseguem suprir melhor que qualquer outra instituição humana. Com informações de The Conversation




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