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CNBB pode orientar católicos a não votarem em Bolsonaro

“Queremos candidatos comprometidos com a justiça social e a paz”, diz órgão historicamente ligado a partidos de esquerda.


Bispos da CNBB e Carmen Lucia
Carmen Lucia participa de evento da CNBB ao lado do secretário-geral da entidade, dom Leonardo Steiner, e do presidente da CNBB, Cardeal Sérgio da Rocha. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) lançou nesta quarta (14) a Campanha da Fraternidade de 2018, cujo tema é “fraternidade e superação da violência”. O lema escolhido é o texto bíblico “Vóis sois todos irmãos” (Mt 23,8). O foco seria debater a segurança pública, ressaltando os homicídios no país, especialmente contra jovens negros, além do trabalho escravo.

O início oficial da campanha ocorreu na sede da Conferência em Brasília, contando com a presença da ministra e presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Cármen Lúcia, e do deputado federal Alessandro Molon (REDE/RJ).

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O presidente da CNBB e arcebispo metropolitano de Brasília, cardeal Sérgio da Rocha, disse que a Igreja Católica não apoiará candidatos à Presidência da República que “promovam a violência”. Embora não tenha nomeado diretamente a nenhum dos pré-candidatos, a cúpula da Igreja ressalta que apoia a campanha do desarmamento. Estas posições são um contraponto direto às propostas de Jair Bolsonaro (PSC/RJ), o único que coloca questões de segurança como prioridade e defende a ampliação do porte de armas no país.

“É lamentável que se apresente soluções para superar a violência recorrendo a mais violência. A Igreja, é claro, nessas eleições, como sempre faz, estará orientando os próprios eleitores, não substituindo a consciência dos eleitores, mas ajudando a formar consciência. Nós queremos candidatos comprometidos com a justiça social e a paz. Não [queremos] candidatos que promovam ainda mais a violência”, declarou Rocha.

O cardeal insiste que a vontade da Igreja é mostrar que a busca da Justiça não passa por “soluções simplistas nem reações emocionais”. Defende também que os investimentos em segurança pública precisam ser acompanhados por outros maiores visando assegurar a qualidade de vida da população.

A CNBB também criticou as reformas promovidas pelo governo de Michel Temer. O secretário-geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, afirmou que “Os textos [da Campanha da Fraternidade] não abordam diretamente [as reformas], mas é claro que são violências. Nós sentimos isso. Vejo que até o Carnaval, no enredo, mostrou tanto a violência quanto a corrupção, as chamadas reformas sem ouvir o povo, os aposentados”.

Historicamente alinhada aos partidos de esquerda e movimentos como MST, a postura da CNBB não surpreende. Nas últimas semanas vieram à tona uma série de evidências que há bispos diretamente envolvidos na campanha do ex-presidente Lula. Com informações de UOL

Direito de resposta

Após a publicação da matéria, o portal Gospel Prime foi contatado pela assessoria de imprensa da CNBB, que enviou a seguinte nota, reproduzida aqui na íntegra:

Segue a resposta do Cardeal Sergio da Rocha, arcebispo de Brasília e presidente da CNBB sobre a matéria publicada por vocês no dia 15/2.
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) não se pronuncia sobre candidatos e/ou partidos. A Igreja no Brasil oferece critérios para discernimento sem substituir a consciência do eleitor. A CNBB esclarece ainda que na referida matéria a fala do cardeal foi distorcida.
Questionada pelo Gospel Prime a quem se referia o cardeal se não a Bolsonaro, a CNBB preferiu não responder.



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