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“Como aprendi que não é fácil ser cristão na Nigéria”

Além da perseguição vinda pelo grupo radical islâmico Boko Haram, cristãos também enfrentam hostilidade na vida social


Rabi
Rabi é uma das seguidoras de Jesus que vive na aldeia com suas filhas adolescentes. (Foto: Portas Abertas)

Está muito bem registrado que no nordeste da Nigéria os cristãos (e em menor grau os muçulmanos moderados) sofrem sob a tirania do grupo radical islâmico Boko Haram. Mas também há perseguição de outras formas. Doze estados do norte adotaram a sharia (lei baseada na doutrina islâmica). Em cada um desses estados ela é aplicada de forma diferente, mas uma ocorrência comum em todos eles é que os cristãos são uma minoria indesejada.

Durante uma visita a um desses estados, Nathan*, que é colaborador da Portas Abertas, aprendeu que, embora os cristãos devam ser oficialmente isentos da sharia, todos eles enfrentam a intolerância à dominação islâmica de muitas maneiras, variando de pequenos aborrecimentos a vergonhosas desumanidades. “Nossa tarefa no norte empoeirado e quente da Nigéria é documentar como os cristãos sobrevivem e, às vezes, até prosperam em uma cultura que adotou a sharia”, explica ele.

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Até para saciar a sede é uma batalha. “Temos que bombear nossa água manualmente movendo a barra de ferro da bomba de água para cima e para baixo. É um trabalho duro neste calor. Nas aldeias muçulmanas, o governo local instalou sistemas de água movidos à energia solar. Mas esta é uma aldeia cristã. Então, nos faltam comodidades como saúde, sistemas elétricos de água e escolas”, conta uma cristã.

Nathan diz que uma das principais ameaças acontece com as meninas de pais cristãos. Elas correm o risco de não voltarem mais para casa depois da escola. As garotas simplesmente desaparecem”, lamenta o colaborador. Mas, mesmo diante de tantas dificuldades, há belos testemunhos para se contar.

“Quando eu ainda era jovem, minha esposa e eu ouvimos a pregação de alguns cristãos do sul da Nigéria que vieram visitar nossa aldeia. Fomos convencidos de que havia mais verdade na Bíblia do que em nossas crenças animistas. Você sabe, naqueles tempos, a maioria das pessoas nessa parte da Nigéria era muçulmana, mas muitos se converteram a Cristo”, lembrou um ex-muçulmano.

A história desse homem, que não foi identificado por motivos de segurança, é um exemplo de que vale a pena se tornar um “infiel” como eles costumam chamar aqueles que abandonam sua antiga religião. O pastor Ajasi, um dos líderes da igreja nigeriana, deixou claro como os infiéis são tratados. “Somos cidadãos de segunda classe. O fato de sermos cristãos já é o suficiente sermos discriminados”, conta ele.

Segundo o pastor, é muito difícil conseguir um emprego quando se declara Jesus Cristo como salvador. “Somos contratados somente se não houver candidatos muçulmanos. Outra grande dificuldade para nós é encontrar educação para os nossos filhos, porque as escolas estaduais baseiam-se na cosmovisão islâmica. Se você quer que seus filhos tenham uma educação cristã, você terá que começar sua própria escola”, conclui.

*Nome alterado por motivos de segurança.




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