Crianças ficarão sem brinquedos por que escolas acham missão “homofóbica”

"Operação Natal das Crianças", da Associação Evangelística Billy Graham, recolhe doações no Canadá para distribuir a crianças carentes pelo mundo.


Acusação de homofobia impede missão de distribuir brinquedos

Um distrito escolar no Canadá encerrou sua participação no programa de doação para crianças carentes após protestos de ativistas LGBT. O ministério Bolsa do Samaritano, que faz parte da Associação Evangelística Billy Graham, promove anualmente a “Operação Natal das Crianças”, onde recolhe doações que serão distribuídas para crianças carentes em alguma parte do mundo.

Cada caixa – do tamanho de uma caixa de sapato adulto – contém um pequeno brinquedo e um folheto com a mensagem do evangelho. Em alguns casos, além do brinquedo é enviado uma peça de roupa ou material de higiene.

A justificativa para o cancelamento é que a organização evangélica liderada por Franklin Graham, conhecido líder conservador, é “homofóbica” e “transfóbica”. A Canadian Press informa que os alunos de 259 escolas nos Distrito Escolar de Newfoundland e Labrador não poderão colocar as doações nas caixas.

Depois de receber sucessivas “denúncias” sobre a postura “fundamentalista” da Bolsa do Samaritano sobre casamento e sexualidade, o conselho de administração do distrito escolar decidiu encerrar a participação no programa. Os alunos iriam, como já fizeram em outros anos, levar uma doação, para colocar dentro da caixa oferecida pelo ministério.

“Esta organização exige que seus voluntários e coordenadores assinem ‘declarações de fé’ que estão em conflito direto com nossa filosofia inclusiva, particularmente no que diz respeito à comunidade LGBT”, justificou o diretor de educação Tony Stack.

Ele acrescentou que o envolvimento da escola com o ministério cristão poderia gerar algum tipo de constrangimento nos alunos que são filhos de casais homossexuais. “Por exemplo, uma criança com duas mães ou dois pais, infelizmente, não conseguirá se encaixar e participar com outros colegas de uma atividade apoiada por uma organização que se opõe à própria existência da unidade familiar dessa criança”, insiste Stack, embora em nenhum momento a missão fale sobre sexualidade.

O regulamento citado pelo distrito diz respeito aos voluntários que trabalham com a missão, não às crianças que doam brinquedos e os colocam nas caixas. Isso indica que a reclamação veio de professores. Como se trata de um trabalho voluntário, ninguém era obrigado a participar. A missão pede doações e se encarrega de transportar e distribuir as caixas em comunidades carentes pelo mundo.

De acordo com a Canadian Press, Stack assegurou que o distrito já está envolvido com outras instituições de caridade que ajudam as crianças nos países em desenvolvimento.

O regulamento da Bolsa do Samaritano é um tipo de contrato, onde as pessoas que desejam trabalhar com a missão precisam concordar com a declaração de fé do ministério, que defende o casamento apenas como a união entre um homem e uma mulher.

A exigência passou a ser feita em 2016, enfatizando a posição da Bolsa do Samaritano sobre casamento e aborto, após um canadense pró-aborto e pró-LGBT que serviu como voluntário durante anos com a organização não ser aceito em uma posição de liderança pois se recusava a assinar o regulamento.

O porta-voz da Bolsa do Samaritano no Canadá Jeff Adams, explicou: “Incluímos essas especificações porque as opiniões do mundo sobre estas questões mudaram a um ponto em que sentimos a necessidade de lembrar aos nossos voluntários que a Bíblia é a palavra inspirada e infalível de Deus”.

Não foi revelado quantas crianças carentes ficarão sem os presentes de Natal que seriam enviados daquele distrito, mas são milhares.




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