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Crise sem fim: escolas fecham as portas na Venezuela

"O socialismo está destruindo o país", conclui estudioso venezuelano.


Evelyn Guzmán e alunos em esecola venezuelana
Evelyn Guzmán e alunos em esecola venezuelana. (Foto: Belinda Soncini)

A crise econômica e social na Venezuela parece não ter fim. Quase 70% dos venezuelanos estão desempregados ou no setor informal e 60% das empresas desapareceram. Mais de 60% da população vive em situação de extrema pobreza.

A fome é uma constante e muitas crianças só estavam se alimentando porque o governo mantinha o Programa de Alimentação Escolar (PAE), que deveria garantir pelo menos duas refeições a todos os alunos das escolas públicas do país.

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Contudo, não está chegando a nem metade dos alunos, denuncia Elvira Ojeda, do Movimiento Padres Organizados de Venezuela, organização de pais e representantes de escolas públicas e privadas. “Os alimentos são recebidos apenas duas vezes por semana e a comida é de baixa qualidade: somente arroz ou grãos, sem proteínas, muitas vezes vegetais em mau estado”, reclama ao Miami Herald.

Como não há subsídios o suficiente nas escolas públicas para alimentar os alunos, ONGs cristãs como a Fé e Alegria, tentaram cobrir as necessidades. “Pessoas famintas não conseguem ensinar nem aprender”, diz Víctor Venegas, presidente da Federação de Trabalhadores da Educação da Venezuela. Ele acredita que seu país se tornará, em breve, “uma nação de analfabetos”.

A evasão escolar em virtude da fome já é uma constante. “A desnutrição afeta gravemente os alunos porque causa falta de concentração, incapacidade de atingir habilidades acadêmicas e suas habilidades cognitivas estão sendo seriamente afetadas”, ressalta Ojeda. Ela conta ainda que casos de desmaio dos alunos durante o horário escolar causado pela falta de comida são constantes.

Socialismo destrói

O estudo Encuesta sobre Condiciones de Vida en Venezuela, desenvolvido por três universidades venezuelanas, aponta que, com os cortes de energia, água, escassez de comida e falta de transporte, cerca de três milhões de crianças já deixaram de ir à escola.

O corpo docente também sofre. Estima-se que todo dia, entre 30% e 40% dos professores venezuelanos não aparecem na escola. A maioria está presa na fila de comida ou remédios. Os mais qualificados já abandonaram o país ou buscaram uma ocupação mais rentável.

A Associação de Professores da Venezuela calcula que somente primeiro semestre deste ano, 20% dos professores do país pararam de trabalhar. Somente em 2018, 400 escolas foram fechadas.

Tomas Páez, sociólogo da Universidade Central da Venezuela, afirma que muitos professores deixam os cargos ao perceber que gastam mais dinheiro em transporte e comida do que recebem em salário do Ministério da Educação.

“O socialismo está destruindo o país”, conclui o estudioso. Segundo Paéz, o autor do livro “A Voz da Diáspora Venezuelana”, a onda migratória teve início logo que Hugo Chavez assumiu o poder: “As pessoas leram sobre o que aconteceu, havia um sentimento de que o comunismo ou socialismo seria instaurado na Venezuela, então as pessoas decidiram sair já no primeiro dia, em 1998”, afirma.

Pais-professores

Enquanto os professores abandonam a cátedra, algumas escolas optarem por colocar os pais dos alunos na tarefa de lecionar. A maioria não possui formação especializada ou experiência em educação. Moraima de Ramirez, estudava engenharia até a faculdade fechar em meio à crise.

Ela hoje ensina Matemática e Física na escola adventista que a filha frequenta.

A administradora do Colégio Adventista, Nohiralys Sánchez, explica: “Quando os alunos começaram a chegar às aulas e os professores não apareciam, expressamos nossas profundas preocupações ao Ministério da Educação, mas a resposta deles foi que isso era um problema nacional e, portanto, eles nos autorizaram a continuar com nossos pais-professores, independentemente do fato de que eles não eram professores profissionais”.

Não há estatísticas precisas, mas a pane na educação é generalizada. O governo chavista sempre tentou encobrir isso. Desde 2003 não se faz pesquisas sobre a qualidade da educação no país. A Venezuela também se nega a participar de avaliações internacionais.



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