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Cristã norte-coreana conta como sobreviveu ao regime ditador

“Na língua norte-coreana sequer existe uma palavra para o ‘amor’. Nós simplesmente não podíamos amar, nós não tínhamos como sentir o amor”


Kim Yong Sook
Kim Yong Sook* recebendo oração de colaboradores do Portas Abertas. (Foto: Portas Abertas)

Kim Yong Sook* nasceu numa família norte-coreana muito pobre. Sua história é trágica e triunfante ao mesmo tempo. A família toda foi deportada do país quando o regime ditador descobriu que seu avô pertencia a um pequeno grupo de cristãos. No começo, Sook achava que esses cristãos tinham destruído sua vida, mas depois ela percebeu que Deus estava escrevendo sua história.

“Eu queria poder voltar no tempo e reviver aqueles dias, assim eu poderia amar as pessoas que estavam ao meu redor”, disse ela. Quando sua família decidiu voltar para a Coreia do Norte, Sook tinha sete anos de idade, mas tanto na China quanto na Coreia o comunismo estava em alta. As fronteiras entre os dois países estavam abertas, então todos podiam viajar com facilidade.

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O governo norte-coreano encorajou os coreanos da China e do Japão a “voltarem para casa”. “Nossa família morava na China há vinte anos, mas nossa nação era a Coreia, então meu pai achou boa a ideia de retornar”, ela conta. A cristã também se lembra que na época ainda não havia aulas de ideologia nas escolas e que a doutrinação e a lavagem cerebral começaram somente a partir dos anos 60.

“Meus avós falavam sobre a segunda vinda de Cristo e sobre como Esaú vendeu sua primogenitura por um prato de comida. Eu pensava comigo ‘deve ter sido um guisado muito, muito bom’”, disse ela. Mas os tempos mudaram, a perseguição aos cristãos chegou ao país, o pai e o avô de Sook foram presos. “Meu pai voltou para casa mais morto do que vivo. Ele nunca nos contou sobre suas experiências na prisão, mas ele retornou de lá um homem diferente, calado e deprimido”, lamentou.

Testemunho

Muitos anos se passaram. Sook se casou, teve filhos, enfrentou a perseguição religiosa até as últimas consequências. Foi presa, torturada e viu muitas mortes. Teve sua família desfeita e seu marido morreu na prisão. Ela conta que teve uma vida difícil e que abandonou muitos de seus sonhos, entre eles o de ser uma jornalista, escritora ou até professora.

Como todos os outros cidadãos, Sook participou de aulas semanais de ideologia, mas não acreditava no “grande líder”. Quando meu pai via um retrato Kim Il-Sung ele dizia: “Bastardo! É claro que nunca falamos isso em público”, revelou a cristã que optou por não ensinar seus filhos a adorar a família Kim e pagou um alto preço por isso.

Sook sobreviveu com rações alimentares trabalhando em campos de trabalho forçado e chegou a pesar entre 20 e 30 quilos. “Acho que os porcos tinham uma vida melhor do que a nossa”, exclamou. Ela viu o avô falecer já bem idoso e se lembra do quanto ele disse para ela acreditar em Deus. “Sou grata pelo homem que ele foi e sei que as orações dele me alcançaram”, afirma.

Suspirando profundamente, Sook não esconde o peso do passado quando revive suas tristes lembranças. “Queria muito viver de novo. Eu daria tudo para voltar no tempo e ter a chance de amar mais as pessoas. Na língua norte-coreana sequer existe uma palavra para o ‘amor’. Nós simplesmente não podíamos amar, nós não tínhamos como sentir o amor”, disse.

A história de Sook e sua família ilustra o sofrimento do povo norte-coreano. Apesar de toda essa situação e das dificuldades que a cristã viveu, ela diz com muita firmeza que “Deus é fiel. Ele é o alfa e o ômega, o começo e o fim. Minha vida testemunha isso. Graças a Ele e a todas as orações que fiz durante a prisão, hoje estou na Coreia do Sul, Deus me trouxe até aqui”, conclui. Com informações Portas Abertas

*Nomes alterados por motivos de segurança.



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