Cristãos liberais tornam-se ateus

Bart Campolo é um bom exemplo de como o liberalismo corrói a fé cristã


Cristãos liberais tornam-se ateus

Bart Campolo é filho de Tony Campolo, um influente líder cristão liberal norte-americano. Durante anos ele seguiu os passos do pai e estudou teologia, chegando a trabalhar como missionário. Mas desde 2011 é um ativista ateu que critica constantemente os ministérios com quem trabalhou, inclusive o de Tony.

Uma análise da revista cristã inglesa Premier Christianity mostra bem como o liberalismo teológico pode levar ao ateísmo. Uma versão traduzida por Igor Miguel está disponível na íntegra no site Tu, Porém

Embora Bart diga que não gosta do termo “ateu”, ele não acredita mais em Deus. Atualmente ele trabalha como capelão humanista. Em sua participação no podcast “Holy Heretics” [Santos Hereges], explicou que sua jornada de afastamento do cristianismo começou quando ele foi exposto à pobreza urbana.

“Isso bagunçou a minha teologia”, lembra. “Eu pregava uma teologia que dizia que Deus poderia intervir e fazer as coisas.” Mas depois de um período em que suas orações não foram respondidas como ele queria, Bart entendeu que “tinha que mudar meu entendimento sobre Deus. Essa soberania tinha de ser menor que eu pensava.”

Ele admite que essas mudanças em sua visão da soberania de Deus marcaram o “começo do fim” de sua fé. “Uma vez que você começa a ajustar sua teologia para adaptá-la à realidade que está diante dos seus olhos, isso se torna uma progressão infinita… Nos anos seguintes, minha capacidade de crer em uma narrativa sobrenatural ou em um Deus que intervém e que faz alguma coisa morreu, depois de umas mil orações não respondidas”, resume.

Campolo enfatiza que foi um processo longo. “Passei por todos os estágios da heresia. Começou quando parei de crer na soberania, logo a autoridade bíblica também se vai. Tornei-me um universalista e até que hoje faço casamentos gays. Em pouco tempo, realmente já não cria que Jesus ressuscitou dos mortos de forma corpórea.”

O ex-missionário acredita que seu caso não é exceção. Na verdade, avalia que o mundo atual do “cristianismo liberal” (que ele chama de “cristianismo marginal”) caminha rapidamente para a descrença plena. Em um discurso durante o Festival Alternativo de música cristã Wild Goose, Bart foi claro: “Eu sei que, se temos 1000 pessoas aqui hoje, daqui a 10 anos trezentas ou quatrocentas delas não estarão mais no jogo da fé.”

Segundo sua previsão, mais de 40% dos cristãos liberais (ou progressistas, como alguns preferem) se tornarão ateus ao longo da próxima década. Ele entende que o processo de abandono das doutrinas cristãs é algo quase viciante. Depois que você começa, não sabe onde vai parar. Pode começar com o “esfriamento” de sua visão da soberania de Deus, mas facilmente pode terminar em descrença.

“Você identifica este cristianismo marginal quando as pessoas falam de ‘Deus’ enquanto se referem ao universo e quando dizem ‘Jesus’ estão falando de algo como a redenção. Eles são tão progressistas que não esperam que nada sobrenatural ocorra. Estão esfriando do mesmo jeito que eu esfriei.”

Bart acredita que cristãos progressistas deveriam parar de fingir que Deus existe em forma de “universo” ou qualquer outro jogo de palavras similar. Dentro desse espectro de liberalismo teológico, ele cita vários líderes que são “bacanas, descolados e atuais” como Rob Bell e Donald Miller. Porém ele, como um capelão humanista, deseja oferecer esse mesmo tipo de orientação e ajudar jovens que rejeitaram inteiramente a ideia de Deus.

O que a igreja pode aprender

Sam Hailes, editor da Premier, avalia que existe uma lição para a igreja nas palavras de Campolo. Quando ele diz “Uma vez que você começa a ajustar sua teologia para adaptá-la à realidade que está diante dos seus olhos, isso se torna uma progressão infinita”, isso deveria nos fazer pensar.

A conclusão de Campolo e de muitos que se desviaram como ele, é que se “a realidade” diante dos seus olhos conflita com sua fé, então é sua fé que está errada e ela precisa ser mudada de alguma forma. Eles não consideram, contudo, que sua percepção de “realidade” pode estar errada.

Hailes entende que o ateísmo ou “humanismo secular”, como prefere Bart, é simplesmente uma troca de uma forma de fé por outra. “Ele afirma confiante que viemos de lugar nenhum e somos produtos acidentais de um universo sem sentido. Para alguém crer nisso é necessário ter fé. Ele defende que, se temos apenas uma única vida, então a melhor forma de o ser humano vivê-la é procurando o bem-estar dos outros. Isto é, mais uma vez, um artigo de fé, pois esta crença de Bart (que não é compartilhada universalmente) não é ditada pela ciência nem pela lógica”, argumenta o editor.

Ainda segundo Hailes, “muitos evangélicos progressistas recusarão esses argumentos, afirmando que estão há milhões de quilômetros do ateísmo. Talvez haja dois perigos iguais e opostos. Talvez os evangélicos conservadores corram o risco de serem desnecessariamente dogmáticos sobre alguns assuntos e, dessa maneira, alienam a próxima geração. Já os progressistas correm o risco de, ao abandonarem a doutrina histórica, perceberem que sua fé começar a parecer mais com o humanismo de Campolo do que com o cristianismo histórico”.

Uma fé despida de seus fundamentos está se tornando crescentemente anêmica. Mas talvez esse sempre foi o caso. Bart Campolo crê que sua adesão recente à “religião sem Deus” do humanismo o fez amar melhor as pessoas do que sua fé cristã de outrora. Isso pode ser verdade para Bart, mas, na prática, a maioria das coisas boas que são feitas no mundo é promovida por pessoas que creem que há um Deus que fez um mundo que vale a pena salvar.

O jornalista encerrou dizendo que as “crenças incomuns” sobre o céu, o inferno e a eternidade nunca impediram os cristãos de tentar endireitar os erros deste mundo. “Foi exatamente ao contrário! Logo, se progressistas querem continuar servindo os pobres e amando ao próximo, a história sugere que eles deveriam continuar bem firmes nas doutrinas cristãs históricas, incluindo aquelas que não são tão palatáveis na cultura ocidental de hoje.”




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