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Cristãos são mortos e igrejas invadidas no primeiro dia do ano, no Congo

Duas vítimas eram crianças, membros de um coral infantil


Cristãos congoleses
Cristãos congoleses

A República Democrática do Congo vive dias de tensão. Os protestos contra o presidente Joseph Kabila tomaram as ruas de várias cidades. Segundo o Christian Post, policiais invadiram igrejas neste domingo e atiraram contra os fiéis. O saldo é de oito mortos e mais de 100 presos, incluindo vários padres.

O governo proibiu qualquer manifestação política, mas vários fiéis participaram das manifestações, muitos deles com crucifixos e Bíblias nas mãos. Em alguns casos, as marchas foram lideradas por líderes religiosos.

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Kabila, 46 anos, governa o país desde 2001 quando assumiu a presidência no lugar de seu pai, Loren, que foi assassinado. Ele havia prometido a realização de eleições em 2017, que acabaram não ocorrendo.

De maioria católica, muitas questões políticas no Congo passam pelas mãos dos bispos. As igrejas católicas vinham promovendo protestos pacíficos, mas no domingo policiais invadiram templos, lançaram bombas de gás lacrimogêneo e prenderam padres.

Em Kinshasa, no distrito de Lemba, a invasão ocorreu durante uma missa. “Enquanto estávamos em oração, os militares e os policiais entraram na igreja e atiraram, declarou à agência France Presse um cristão da paróquia de Saint Michel, em Bandalungwa.

O fiel de outra igreja relata que o padre não interrompeu sua homilia e disse que os presentes não deveriam fugir. Em vários casos, os soldados impediram as missas dominicais e dispersaram os fiéis.

Agências de notícias reportam pelo menos oito mortos como consequência da invasão das igrejas. De acordo com a France Press, duas eram crianças que faziam parte de um coral que se apresentava quando os policiais entraram no templo.

Alegando “questões de segurança”, o governo congolês obrigou as operadoras a interromperem todos os serviços de internet e trocas de mensagens por SMS.

O presidente Kabila havia prometido sair do cargo em dezembro do ano passado, mas decidiu ficar mais um ano, marcando as eleições para o final de 2018.

A situação é preocupante no país desde o mês de junho, quando teve início uma onda de violência. As forças de segurança do Congo mataram dezenas de manifestantes durante os primeiros protestos contra o presidente. A Igreja Católica divulgou na época que pelo menos 3300 pessoas haviam morrido em conflitos com os soldados do exército que patrulhavam as ruas.

Os opositores do governo exigem que Kabila declare publicamente que não será mais candidato e marque novas eleições imediatamente.




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