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Cristãos são perseguidos por beber água durante o jejum do Ramadã

Mês sagrado do islamismo teve início no dia 15 de maio e termina no dia 14 de junho. Durante esse período, cristãos que vivem em países de maioria muçulmana são perseguidos


Hani Shamshoun Girgis
Hani Shamshoun Girgis segurando água. (Foto: World Watch Monitor)

Um fotógrafo egípcio foi detido pela polícia por carregar uma garrafa de água durante o mês sagrado muçulmano do Ramadã, quando os seguidores do islamismo não comem e nem bebem nada, desde a primeira luz do dia até o pôr do sol.  Hani Shamshoun Girgis, 31 anos, estava a caminho do trabalho, para o jornal Tahrir, quando foi abordado por um oficial que pediu sua identificação e lá constava que ele era cristão.

“Ele pegou minha identidade e pediu para segui-lo. Quando resisti e perguntei para onde ele estava me levando, então o policial começou a me insultar e ordenou que eu parasse de falar, como se eu fosse um criminoso”, disse Hani. “Havia uma garrafa de água dentro da minha bolsa e ele olhou com raiva”, explicou o fotógrafo.

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Na delegacia, Hani foi informado de que foi preso por causa da garrafa de água encontrada em sua bolsa. “O policial perguntou: ‘Por que você tem essa garrafa de água enquanto estamos no Ramadã?’”, lembrou ele. “Eu disse a eles que não estava jejuando porque eu era cristão, mas eles me insultaram e disseram que eu ficaria lá até o pôr do sol e que eu não poderia me sentar”, contou.

Após ligar para seu editor-chefe, que foi à delegacia, Hani foi liberado. “Fui detido na delegacia por mais de duas horas e fui tratado de maneira muito humilhante por não ter feito nada”, contestou. “Quando estou no trabalho, não como ou bebo diante de meus colegas muçulmanos, como sinal de respeito”, acrescentou.

Ramy Emad, um advogado cristão do Cairo, capital do Egito, disse que é ilegal prender alguém, seja cristão ou muçulmano, por não aderir ao jejum do Ramadã. “O que o policial fez com Hani é um crime e ele deve ser processado e demitido de sua posição”, disse o advogado. Ao ser questionado sobre o caso de Hani, o departamento de polícia da estação ferroviária de Giza, onde o repórter foi detido, desligou o telefone sem dar declarações.

“Por que você está quebrando o Ramadã?”

 Em um incidente separado, outro cristão egípcio disse que foi espancado depois de ser visto bebendo uma garrafa de água. O agricultor Adel Ayoub, 52 anos, da aldeia de Beni Ibrahim, na província de Assut, estava bebendo água do lado de fora quando foi abordado por um grupo de jovens. “Eles me perguntaram: ‘Por que você está quebrando o jejum do Ramadã?’”, contou Ayoub. “Eu disse a eles que eu era cristão. Assim que ouviram a palavra ‘cristão’, eles me atacaram e me bateram até quase desmaiar.”

Segundo Ayoub, os agressores fugiram, deixando-o no chão e ele chamou seu filho, que o levou para casa. Houve mais um caso, em Helwan, Grande Cairo, quando um motorista de micro-ônibus cristão teria sido atacado por beber uma xícara de chá. De acordo com a testemunha Ashraf Mourad, em 1º de junho, enquanto ele estava em um ponto de ônibus em Helwan, viu alguns homens atacando um ônibus, quebrando suas janelas e ferindo o motorista com o vidro quebrado.

“Eu me aproximei do micro-ônibus e descobri que o motorista foi atacado porque estava tomando uma xícara de chá e também porque era cristão”, disse Mourad. “Ele tinha uma tatuagem de uma cruz no pulso direito”, acrescentou. A Egyptian Fatwa House, um centro de pesquisa islâmica presidido pelo governo, declarou em 2016 que comer ou beber durante as horas de jejum do Ramadã “não faz parte da liberdade pessoal das pessoas”, mas sim uma agressão contra o Islã.




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