“Deus quer transformar as nações através da Igreja”, defende Napoleón Ardaya

"A verdadeira transformação ocorrerá quando cada um de nós fizer a sua parte, como cristãos e como cidadãos"


Ex-deputado da Bolívia e atualmente trabalhando como analista político, o jornalista Napoleón Ardaya participou no Brasil da conferência “Parlamento e Fé” neste sábado (28). Diante de aproximadamente 150 líderes políticos e religiosos da América Latina, presentes no evento, fez um apelo para a “necessidade imperiosa de mudarmos a realidade das nações”.

Fazendo um apanhado histórico da formação dos países latinos, que possuem muitos aspectos em comum, lembrou que existem grandes e profundas desigualdades. Embora ricos em recursos naturais e com uma população trabalhadora, não vemos nenhuma dessas nações despontar, com os padrões de desenvolvimento do chamado “primeiro mundo”.

“Nossas nações precisam ser transformadas”, afirmou Ardaya, “mas Deus quer fazer isso através de nós, membros do Corpo de Cristo na Terra”. Ele conta que teve uma vivência política como deputado, até que Evo Morales impôs severas mudanças na Bolívia, que prejudicou todos os seu opositores políticos.

Segundo sua análise, os governos da América Latina são, via de regra, autoritários e “não obedecem as constituições e nem os poderes constituídos”. “Em muitos países latinos americanos não há Estado de direito”, lamentou.

Ele apresentou cinco elementos que são necessários para que a esfera política seja transformada. Todos deviam ser defendidos pelas igrejas para que hajam mudanças profundas e permanentes.

O primeiro seria “o exercício da responsabilidade cidadã e cristã”. Como cristãos deveríamos parar com essa dicotomia nociva. De um extremos vemos pastores defendendo que “a política é má, suja e do diabo” e por isso não deveríamos nos envolver. No outro extremo, defende-se que “todos devemos concorrer” e ocupar os espaços, pois “se não estivermos dentro, não vamos mudar nada”.

Ardaya disse que o ponto de equilíbrio é alcançado quando entendermos que “não podemos mais ser indiferentes com nossas responsabilidades como cidadãos”. Sendo assim, não precisamos aumentar o nível de exigência política. “Não basta ser cristão para ser um bom político e a igreja não deveria tolerar políticos medíocres”, disparou.

O segundo aspecto destacado por ele é a necessidade de resgatarmos o “exercício da voz profética”.

“Temos entendido mal o que é o profético, a voz profética. Não é adivinhar o que vai acontecer, mas proclamar a Palavra de Deus, que é forte, e denunciar o que está errado, lembrando as consequências se não houver mudança”, sentenciou.

Conforme Ardaya, o terceiro aspecto é a “incidência de políticas públicas mediante plataformas temáticas”. Ou seja, existem ativismos temáticos que deveriam ser assumidos pela Igreja.

“Não precisamos ser políticos para defender uma plataforma pró-vida e pró-família. Muitas vezes nosso ativismo cristão é mais importante que um movimento partidário”, destacou, apontando para Martin Luther King Jr. como um exemplo de líder cristão que não precisou de um cargo eletivo para gerar transformações na sociedade.

Em seguida, ele disse que vê a “intervenção direta como agentes políticos”. “O governo secular é um ministério, disse o apóstolo Paulo em Romanos 13, portanto as autoridades são servas de Deus. Mas ter um chamado não é suficiente. Um político cristão necessita ter caráter ilibado e uma vida espiritual vigorosa. Alguns até podem ter chamado, mas se não se estiverem preparados, vão gerar prejuízo e serão uma vergonha para o nome de Cristo”, asseverou.

O quinto e último aspecto é “a evangelização e discipulado como alvo final”. “Podemos alcançar àqueles que já estão lá na política com a mensagem do evangelho. Não devíamos nos preocupar em somente colocar os cristãos na política, mas evangelizar e discipular os que estão em posição de poder”, destacou.

Encerrou dizendo que: “Como Igreja, somos desafiados de muitas maneiras, todos os dias. Temos que fazer nosso trabalho, entendendo qual é o nosso chamado. A verdadeira transformação da esfera política ocorrerá quando cada um de nós fizer a sua parte, como cristãos e como cidadãos”.

Tiago Simon, deputado estadual do RS. (Foto: Claudia Werhli da Silva)
Manu Caliari, Presidente da Câmara de veradores de Gramado- RS. (Foto: Claudia Werhli da Silva)
Luciano Bongarrá, presidente do Parlamento e Fé. (Foto: Claudia Werhli da Silva)
Hidekazu Takayama. (Foto: Claudia Werhli da Silva)
Carlos Perea. (Foto: Claudia Werhli da Silva)
anterior
próximo
Tiago Simon, deputado estadual do RS. (Foto: Claudia Werhli da Silva)
ArrowArrow
Slider




Deixe seu comentário!