24/07/2014 - 13:25

Dilma cria “comitê evangélico” para campanha presidencial

Mesmo quebrando promessas de 2010, PT repete estratégia


Dilma cria “comitê evangélico” para campanha presidencial Dilma cria "comitê evangélico" para campanha presidencial

Em 2010 muitos analistas políticos indicaram que a polarização do debate de questões como aborto e casamento gay é que levaram a disputa para o segundo turno. Um dos maiores motivos para isso foi a manifestação pública da CNBB contra as propostas do PT e um grupo de evangélicos, com destaque para Silas Malafaia, que acusava a candidata Dilma de ser favorável a essas questões.

Quatro anos atrás, o comitê de Dilma costurou alianças com vários partidos cuja liderança tinham representatividade junto aos evangélicos. Tempos depois, muitos romperiam com o PT, alegando terem sido traídos. Em especial, o Partido Social Cristão (PSC), por conta da perseguição política contra o deputado pastor Marco Feliciano.

Com os números das pesquisas mostrando um possível segundo turno, a campanha de Dilma procurou criar um “comitê evangélico”, de representatividade questionável. Segundo o jornal O Globo, os nove partidos que lutam pela reeleição da presidente escolheram para fazer parte dos interlocutores com as igrejas evangélicas Marcos Pereira, presidente do PRB, Gilberto Kassab, do PSD, e Eurípedes Júnior do PROS.

Além destes, estavam presentes Aloísio Mercadante, Rui Falcão e Berzoini (PT), Michel Temer (PMDB), Carlos Lupi (PDT), Ciro Nogueira (PP), Luciano Castro (PR) e Renato Rabelo (PCdoB).

O processo teve início quando Pereira, do PRB, partido ligado à IURD, reclamou com Dilma que existe grande resistência dos fiéis à reeleição de Dilma justamente por que o governo petista quebrou sua promessa e de forma extra-oficial tornou legal tanto a união civil de homossexuais quanto o aborto.  A presidente vem se justificando que não mudou nenhuma lei com relação aos temas. Agora, além da criação do comitê ela quer se reunir com pastores para esclarecer o caso.

Quando surgiu o Partido da República e Ordem Social (PROS), seus líderes s anunciaram que não fariam parte da bancada evangélica. Contudo, se posicionaria favorável aos “temas evangélicos”, incluindo aborto, eutanásia e a homofobia.

Mas até agora a sigla não mostrou ter influência sobre os evangélicos de modo geral. Já o PRB, cujo principal expoente é Marcelo Crivella, tem apelo apenas junto aos fieis da Igreja Universal. Cerca de um ano atrás, Crivella intermediou um encontro de Dilma com cantoras evangélicas.  A decisão foi classificada como “engodo” pelo deputado Marco Feliciano, que acusou Dilma de não ter recebido pastores porque sabia que haveria uma conversa séria, com reivindicações.

O jornalista Julio Severo, colunista do portal Gospel Prime, denunciou recentemente que Gilberto de Carvalho, Secretário-Geral da Presidência, segundo homem mais forte do PT é responsável por “um projeto perigoso que visa transformar o Brasil numa Venezuela ou União Soviética”. Pois ele tem atraído para a defesa de seu partido lideranças evangélicas como Ariovaldo Ramos e Alexandre Brasil.

Em 2012 Carvalho anunciou em um encontro do partido que era preciso combater as igrejas evangélicas.  Na época, o Senador Magno Malta (PR), da Frente Parlamentar evangélica, chamou Carvalho de “safado” e “mentiroso”.  Embora o líder do partido de Malta estivesse nesse encontro com Dilma que busca aproximação com evangélicos, ele já anunciou que não apoiará a reeleição, fazendo campanha para o pastor Everaldo, do PSC.

Por ser pastor, Everaldo é considerado por muitos o único que representa o interesse dos evangélicos e tem conquistado o apoio de vários líderes com representatividade entre os evangélicos, como Silas Malafaia.