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Duas pessoas são mortas dentro de igreja sitiada pelo governo da Nicarágua

“Agora há perseguição a todos os cristãos", lamente fiel.


Mortos na Nicarágua
Manifestantes carregaram os corpos das vítimas da violência pelas ruas de Manágua. (Foto: EFE/Jorge Torres)

Nas últimas semanas, forças paramilitares ligadas ao governo esquerdista da Nicarágua estão atacando cristãos. Na capital Manágua, a igreja católica Divina Misericórdia foi o refúgio encontrado por dezenas de estudantes, que fugiam dos soldados que defendem o presidente Daniel Ortega.

Desde a tarde de sexta-feira (13) eles se estavam escondidos no local que foi cercado pelos paramilitares, que acabaram matando dois estudantes com tiros na cabeça, um dentro da igreja e o outro atrás de uma barricada improvisada no local.

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Somente após a mediação do núncio apostólico Stanislaw Waldemar Sommertag, os estudantes conseguiram sair da igreja, dois dias depois. “Sacerdotes da paróquia continuam sendo fortemente atacados por policiais e paramilitares. Um jovem foi atingido por uma bala na cabeça e acaba de falecer”, afirmou a Conferência Episcopal da Nicarágua (CEN) em nota publicada no Twitter.

Ao site Evangélico Digital, vários evangélicos que pediram anonimato, contaram como a situação se agravou após um pastor e sua família terem sido queimados pelos paramilitares que vêm sendo chamados de guerrilha.

“Agora a perseguição é contra tudo o que é cristianismo. Tanto os pastores como os sacerdotes católicos são alvos das forças paramilitares, que os ameaçam. Eles consideram que [pastores e padres] estão fazendo mal ao sistema”, explica um fiel.

Um outro evangélico diz que foi chamado para ir até uma igreja católica e testemunhou quando homens encapuçados agrediram um jovem em frente ao local. Ele e o padre interviram e levaram o rapaz a um médico. “Nossa função é que eles não ataquem ou violem os direitos de qualquer pessoa, não importe sua cor, religião ou etnia. Estamos aqui para ajudar as pessoas, não agredi-las fisicamente ou verbalmente”, ressalta.

Um terceiro testemunho dá conta que “A situação aqui é muito difícil. Há pânico, há terror. Eu não sei o que dizer, não sei o que fazer. Estamos orando, pedindo ao Senhor para nos proteger, porque aqui a vida não tem mais valor neste momento”.

Quase 300 mortos desde o início dos protestos

O presidente nicaraguense Daniel Ortega é ex-líder de uma guerrilha marxista. No poder desde 2007, ele reprime duramente os protestos contra ele, iniciados em 18 de abril.

De acordo com o Estadão, Ortega está envolvido em denúncias de corrupção e tentou mudar o sistema de aposentadorias do país. Nesta segunda (16), além de estudantes, protestaram nas ruas da capital os parentes de vítimas da violência, que carregavam caixões e pediam justiça.

Carlos Tünn, representante da Aliança Cívica por Justiça e Democracia, um dos principais grupos opositores a Ortega, afirmou: “A população não desistiu porque ainda há uma demanda nas ruas por liberdade”. Segundo ele, apenas a renúncia do presidente e eleições antecipadas irão encerrar a turbulência.

Aos 72 anos, Ortega está em seu terceiro mandato consecutivo, que termina em 2021. Ele já disse que não pretende sair do poder antes disso.



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