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Especialistas alarmados com ataques jihadistas em Moçambique

Há indícios de ligações com uma rede terrorista internacional


Exército de Moçambique
Exército de Moçambique (Foto: EPA / Andre Catueira)

Nesta segunda-feira (11), a embaixada dos EUA em Moçambique emitiu um alerta de segurança, pedindo que todos os cidadãos americanos evitassem visitar o distrito de Palma, na província de Cabo Delgado, e exortando os que estão ali a “sair da área imediatamente”, de acordo com a agência Reuters.

O governo do Reino Unidos fez recomendações similares a seus cidadãos, pedindo que evitam a região Norte de Moçambique devido a possibilidade de “ataques de grupos ligados a extremistas islâmicos.

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Nas duas semanas, Moçambique testemunhou pelo menos três ataques brutais na região norte, realizado por homens armados que a polícia vinculou ao grupo islâmico al-Shabbab. Este aumento alarmante de ataques terroristas surpreendeu especialistas e analistas políticos.

Alex Vines, chefe do Programa para África da Chatham House, o Instituto Real de Assuntos Internacionais, em Londres afirma que “há uma deterioração real desde outubro do ano passado”.

Ele se refere aos ataques terroristas realizados nove meses atrás, quando militantes islâmicos atacaram uma delegacia de polícia e um posto militar na cidade costeira de Mocímboa da Praia, matando dois policiais.

O ex-subsecretário de Estado adjunto para Assuntos Africanos dos EUA, Johnnie Carson, admitiu que a ideologia extremista estava se espalhando ao longo da costa leste africana.

Nos ataques atribuídos ao al-Shabab, que não possui ligações conhecidas com o grupo homônimo da Somália, os militantes armados com facões mataram pelo menos 30 pessoas e incendiaram mais de cem casas.

O registro mais cruel foi em 27 de maio, quando 10 pessoas, incluindo crianças, foram decapitadas em ataques às aldeias de Monjane e Ulumbi, perto da cidade costeira de Palma, também em Cabo Delgado.

Dados do governo indicam que cerca de 18% dos quase 30 milhões de habitantes de Moçambique são muçulmanos. Vines explica que “Este país tem sido um lugar muito tolerante para ser honesto, mas desde 2015, há indícios que a radicalização na região de Cabo Delgado aconteceu muito rapidamente”.

Wendy Williams, pesquisadora do Centro de Estudos Estratégicos da África, em Washington, acredita que o radicalismo é influência dos vizinhos. “Considerando que a Tanzânia tem a sua própria fração de pregadores radicais e grupos extremistas, não é difícil imaginar que a ideologia poderia ter cruzado a fronteira para Moçambique em algum momento”, disse ela.

Embora o governo insista que tem controle da situação, os alvos preferenciais dos jihadistas são os cristãos, maioria no país. A decapitação é uma prática antiga de punição aos infiéis no Islã, tendo sido revivida recentemente pelos extremistas do Estado Islâmico, que agiam sobretudo na Síria e no Iraque, onde promoveram o genocídio de cristãos.

A evolução do grupo

Chamado de Al-Shabaab (Os jovens), o grupo extremista moçambicano é derivado do movimento político-religioso Al Sunnah wa Jama’ah, árabe para “pessoas da comunidade sunita”. Os sunitas são o maior grupo dentro do Islamismo.

Estima-se que o movimento tenha agora entre cerca de 350 e 1.500 membros, organizados em dezenas de pequenas células ao longo da costa do norte de Moçambique.

Seu objetivo é aplicar a lei da sharia (lei religiosa islâmica) no país. Eles rejeitam o sistema educacional vigente, considerado muito ocidental. Seus ideais são muito similares aos do Boko Haram, na Nigéria, que começou como um movimento religiosa e evoluiu para um grupo guerrilheiro.

O governo de Moçambique minimizou a questão religiosa, dizendo que as motivações dos ataques às aldeias do norte são econômicas. Afirmam que o grupo envolveu-se em mineração ilegal, extração de madeira, caça ilegal e contrabando, fazendo milhões de dólares por semana por meio dessas atividades criminosas.

Porém, tais afirmações não parecem ser apoiadas por evidências concretas. É difícil imaginar que um grupo guerrilheiro que ganhe US$ 3 milhões por semana ainda lute apenas com facões e pouquíssimas armas.

Alguns estudiosos acreditam que o grupo faz parte de uma rede terrorista islâmica internacional mais ampla. É verdade que há ligações fronteiriças em jogo: a polícia de Moçambique disse que os guerrilheiros receberam treinamento militar na Tanzânia e na República Democrática do Congo.

O crescimento (ou não) da violência contra os cristãos em um futuro próximo depende muito da reação do governo moçambicano. Desde os primeiros ataques, em 2017, centenas de homens e mulheres foram presos. Algumas mesquitas foram fechadas. Até agora não há razão para acreditar que conseguirão controlar essa onda de violência. Com informações de Voice Of America e The Conversation



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