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Evangelho da prosperidade enfraquece a teologia, indica estudo

Movimento crescente tem menos a ver com "sentir Deus", e mais com "sentir-se bem"


As pessoas que ouvem os ensinamentos do chamado “evangelho da prosperidade” sentem-se mais positivas, mas não estão necessariamente aprendendo qualquer conteúdo teológico, indica um novo estudo.

A Universidade de Toronto divulgou na revista de Psicologia da Religião e Espiritualidade, um levantamento sobre os ensinamentos popularizados por pregadores como Joel Osteen, T.D. Jakes e Creflo Dollar. Além de suas pregações disponíveis nas redes sociais, eles possuem livros traduzidos em diversas línguas, o que aumenta sua influência sobre pessoas de várias partes do mundo.

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Um dos autores do estudo, Nicholas M. Hobson, do Departamento de Psicologia da Universidade de Toronto, observou que o movimento também chamado de ‘teologia da prosperidade’ e ‘confissão positiva cristã’ é “um dos movimentos religiosos de maior crescimento”.

“O evangelho da prosperidade surgiu na década de 1950. O boom desses movimentos evangélicos da prosperidade resultou da popularização dos televangelistas. Os mais influentes hoje são Joel Osteen, Creflo Dollar e T.D. Jakes “, afirma Hobson.

“A doutrina central do evangelho ensinado por eles é que Deus deseja que os fiéis sejam prósperos financeiramente. As bênçãos materiais, portanto, fazem parte da vontade de Deus. Só que para se beneficiar dessas bênçãos, a pessoa deve (a) adotar um pensamento ou discurso sempre positivo e (b) doar uma certa quantia de dinheiro para a igreja ou ministério”, resume.

O estudo lembra que “Usando termos como ‘semente de fé’, a maioria dos seguidores do evangelho da prosperidade acredita que fazer doações regulares para sua igreja os ajudará a colher uma safra abundante em algum momento no futuro.”

Estímulos à pregação

Para a realização do estudo, os pesquisadores convidaram teólogos e ateus para ouvir um sermão sobre prosperidade, tendo seus sentimentos medidos depois.

“Ao verificar o efeito positivo, descobrimos que o evangelho da prosperidade oferece um impulso de positividade, gerando uma sensação de bem-estar, mesmo entre o grupo de ateus. Isso comprovaria a ideia de que o impacto da mensagem tem mais a ver com o bem-estar do ouvinte que com suas crenças pessoais”, concluíram os autores do estudo.

O levantamento indica ainda que “o sucesso crescente do evangelho da prosperidade como um sistema de crenças religiosas pode ser atribuído às suas experiências positivas e excitantes – não aos seus ensinamentos teológicos”. O efeito sobre os sentimentos dos ouvintes é inegável, mas não gera conhecimento teológico sobre a pessoa de Deus. Isso geraria um enfraquecimento da doutrina histórica das igrejas evangélicas.

Em suas conclusões, os pesquisadores apontam ainda que “as mensagens religiosas sobre prosperidade aumentam o viés otimista e estimulam comportamentos financeiros arriscados”. Ao mesmo tempo, “Ironicamente, seu sucesso como movimento religioso crescente tem menos a ver com ‘sentir Deus’, e mais com ‘sentir-se bem”.

O Christian Post entrou em contato com os ministérios de Osteen, Jakes and Dollar para comentarem sobre o estudo

O porta-voz da Igreja de Lakewood, Donald Iloff Jr., ressaltou que a mensagem de Osteen não é exclusivamente sobre ganhos financeiros. “Caracterizar a mensagem com foco na riqueza material é uma análise bastante superficial da mensagem de Joel”, argumentou o porta-voz. “Ele fala sobre um Deus que quer o que é melhor para você, o que poderia incluir possuir um negócio de sucesso”, lembra. Assegurou ainda que Osteen rejeitou o rótulo de pastor da prosperidade.

Os ministérios de Jakes e Dollar não quiseram se manifestar.



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