Ex-traficante se transforma em missionário

Júlio Bomfim também canta e é pastor


Ex-traficante se transforma em missionário

A história de Júlio Bomfim Santana de Jesus, 36 anos, envolveu a mudança de um paradigma. Ele, que era conhecido como líder do tráfico em Simões Filho (BA), na Região Metropolitana de Salvador, agora é missionário e canta sobre sua fé.

Tudo começou quando, por meio da venda de drogas, queria reverter a história de infância pobre que viveu para financiar sua trajetória como cantor musical. A situação saiu de controle e o jovem entrou no tráfico.

Segundo o Correio 24 Horas, mesmo dentro do crime, o jovem decidia ter boas atitudes, como doar parte do dinheiro adquirido para ajudar pessoas a comprar cestas básicas e botijão de gás. De acordo com Júlio, foi o que manteve vivo.

“O dinheiro era amaldiçoado, mas eu ajudava muita gente. Às vezes, vinha dos assaltos e distribuía dinheiro. Eu doava cesta básica, botijão de gás. Era uma pessoa má, mas com um coração bom. Meus colegas morreram todos, porque não tinham coração, queriam bater nos outros, matar”, disse.

Segundo ele, a situação começou a mudar em 2013, quando seu pai morreu. “Minha mãe ligou na hora que meu pai morreu e disse: ‘meu filho, se você continuar nessa vida, vai morrer, e, se você morrer, eu morro também’. Aquilo rasgou meu coração e eu pensei: ‘não posso matar minha mãe de desgosto’”, relembrou.

Na cidade baiana de Alagoinhas, em uma igreja evangélica, decidiu que ia mudar de direção. Entregou-se a polícia e ficou 11 meses preso na Penitenciária Lemos Brito, onde sobreviveu ao ataque de facções.

“Quando eu ia dormir, chorava com saudades da liberdade que tinha. Queria poder ver meus filhos. Queria ter minha família de volta. Hoje posso não ter riqueza, mas tenho paz. Sei que estou salvo”, contou.

Hoje, tornou-se pastor, foi consagrado a missionário, faz parte da Igreja Evangélica Shalom Adonai, é casado e pai de quatro filhos. “Quero que conheçam o pai de hoje. A pessoa que eles podem chegar na escola e ter orgulho de dizer. Antes eu era chamado de monstro. Hoje sou o Irmão”, concluiu.




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