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Facebook deleta mensalmente 500 mil posts com “discurso de ódio”

Rede social continua sem explicar o que isso significa


Mark Zuckerberg
Mark Zuckerberg

O Facebook retirou do ar 2,5 milhões de publicações nos últimos meses. A média mensal é de quase 500 mil, identificadas como “discurso de ódio”. O relatório de transparência da rede social com essa informação foi publicado pela primeira vez na semana passada. O objetivo seria mostrar os resultados das ações de moderação de conteúdo realizados pela empresa, que vem sofrendo críticas em vários países do mundo pela falta de transparência de suas atividades.

O problema é que a companhia não consegue explicar o que entende por discurso de ódio. O material publicado agora reitera que é tudo aquilo identificado como “um ataque direto a pessoas com base no que chamamos de características protegidas: raça, etnia, nacionalidade, filiação religiosa, orientação sexual, sexo, gênero, identidade de gênero e doença ou deficiência grave”, além do status migratório.

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Contudo, quem já fez denúncias contra material que ofende o cristianismo e figuras sagradas dessa religião não obtém sucesso muitas vezes. O mesmo não é verdade quando se trata de publicações consideradas agressivas contra islâmicos ou grupos LGBT.

Um problema maior parece ser o monitoramento de conteúdo do Facebook que exiba nudez ou pornografia. Foram derrubadas 21 milhões de postagens desse tipo nos últimos seis meses.

Outro aspecto abordado pela rede de Mark Zuckerberg são as contas falsas. Somente este ano foram derrubados cerca de 583 milhões de perfis deste tipo. O número impressiona por representar 26,5% do total de usuários da plataforma, que atualmente é de 2,2 bilhões. De acordo com o documento, a maioria desses perfis falsos é excluída minutos após a criação, após ser identificada alguma anomalia, podendo ser contas gerenciadas por máquina, os chamados ‘bots’.

Inteligência artificial

Um dos pontos exaltados pelo Facebook em seu relatório é a atuação de seus sistemas automatizados. A identificação de imagens pornográficas parece ser bastante fácil de ser identificada, mas os conteúdos com discurso de ódio, 38% das mensagens foram sinalizadas automaticamente, deixando em aberto novamente os critérios para isso.

“Tecnologias como a inteligência artificial, que embora seja promissora, ainda está longe de ser efetiva para a maioria dos conteúdos de baixa qualidade, já que uma análise do contexto também é muito importante. Por exemplo, a inteligência artificial não é boa o suficiente para determinar se alguém está proclamando ódio ou se está descrevendo uma situação ocorrida consigo mesma para gerar conscientização sobre o assunto”, afirmou Guy Rosen, vice-presidente de gerenciamento de produto, em texto publicado no site oficial da empresa.

Essa falta de clareza sobre os critérios incomoda os grupos conservadores, que vêm denunciando a censura que muito material é sinalizado como “discurso de ódio” de maneira tendenciosa.

Por isso, o Centro de Pesquisa de Mídia (MRC), junto com 18 importantes organizações conservadoras anunciaram a criação do movimento “Conservadores Contra a Censura Online”. O MRC já fazia há anos um trabalho de análise sobre a maneira como pautas conservadoras, principalmente as cristãs, mostrando como eram retratadas de maneira distorcida pela imprensa.

Seu argumento principal é que o Facebook deveria deixar mais claro aos usuários o que é ‘discurso de ódio’, para somente então usar esse argumento para bloquear páginas e apagar postagens. Na maioria dos casos, não é isso que acontece, pois há casos registrados de versículos bíblicos sendo apagados sob essa justificativa. Com informações de Washington Post




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