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Igreja evangeliza ex-guerrilheiros das FARC

Iglesia Avivamiento doou equipamentos agrícolas e faz ação social na Colômbia


Iglesia do Avivamiento
Iglesia do Avivamiento na comunidade de ex-guerrilheiros. (Foto: RNS / Julia Friedmann)

Quase um ano atrás, o governo da Colômbia anunciou o fim do conflito com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), que, por meio século, derramou sangue no país. Os guerrilheiros da autoproclamada “guerrilha revolucionária marxista-leninista” entregaram as armas e passaram a ser um partido político.

O acordo de paz firmado em 2016 mudou a vida de centenas de homens e mulheres que viram-se, de repente, sem uma causa para lutar. O governo colombiano permitiu que uma megaigreja de Bogotá, chamada Avivamiento, começasse a construir igrejas em acampamentos dos ex-combatentes.

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Num país marcado por mais de cinco décadas de guerra, o acordo de paz tornou-se uma questão religiosa quando muitos pastores passaram a defende-lo.

O templo em Mariana Páez, terminado em maio deste ano, é o primeiro que a Avivamiento construiu nas 26 “zonas de transição” – acampamentos para onde os ex-guerrilheiros das Farc passaram a morar depois de abandonar as florestas e que se converteram em pequenas cidades. Os que se cadastraram passaram a receber uma ajuda mensal e a oportunidade de participar de um programa educacional.

Zona de transição em Mariana Paez
Zona de transição em Mariana Paez. (Foto: RNS / Julia Friedmann)

A Avivamiento planeja construir igrejas em todas as “zonas de transição”. A megaigreja da capital vem doando equipamentos agrícolas e visitando com frequência todas as comunidades dos ex-FARC que se abrem.

Além de construir o primeiro templo, os obreiros evangélicos passaram a oferecer estudos bíblicos e promover atividades para as crianças mensalmente. Atualmente, cerca de 10 pessoas frequentam a igrejinha em Mariana Páez.

Uma das maiores igrejas evangélicas da Colômbia, a Avivamiento conta com 54 congregações em sua rede nacional e mais de 50 em outros países.

O governo colombiano passou a aprofundar sua colaboração com grupos religiosos depois que Rodrigo Rivera foi nomeado chefe do Alto Comissariado da Paz (OACP), em 2017. Com a tarefa de implementar o acordo de paz, Rivera convocou uma cúpula de líderes cristãos para participar dos esforços de reintegração dos ex-combatentes.

“Estávamos tentando oferecer apoio há algum tempo”, disse Alejandro Rodriguez, líder do ministério de ação social da Avivamiento. Ele explica que Rivera é membro da denominação e facilitou o acesso da Igreja às comunidades dos ex-combatentes.

Jefferson Mena, responsável pelas “zonas de territórios” no OACP, reitera que não há qualquer conflito de interesse no trabalho evangelístico. “Na reunião (com líderes religiosos), fizemos uma coordenação dos nossos planos com os deles”, disse. Outras organizações religiosas fazem um trabalho com ex-combatentes, mas Avivamiento foi a única que se dispôs a construir uma igreja.

Mudança drástica na ideologia

A aceitação das lideranças da FARC da Avivamiento é uma mudança drástica nos ideais ateístas marxistas do ex-grupo guerrilheiro.

A líder da “zona de transição” das FARC em Mesetas, Marina Giraldo, explicou que permitir uma igreja evangélica na comunidade ajuda a contradizer acusações antigas que os combatentes são “imorais”.

“A melhor maneira de derrotar uma mentira é mostrar às pessoas a verdade”, declarou. “Alguns membros de nossa comunidade decidiram que queriam uma igreja, e eu achei que era importante ouvi-los.”

Um desses membros da comunidade é Eder Cristian. “Estou feliz em ter a religião de volta na minha vida”, disse ele. Cristian, que cresceu em uma família cristã, juntou-se às FARC aos 13 anos de idade. Hoje ele é o zelador da igreja. Outro ex-combatente, Wilmer Pérez, disse que a igreja fornece à comunidade um senso de legitimidade. “Isso nos faz sentir como uma cidade real, porque toda cidade tem uma igreja”, comemora.

Pérez agradece a igreja está fornecendo recursos que o governo não atende. “A igreja nos deu ferramentas para nos ajudar a plantar e também a cuidar das crianças”, disse ele.

 



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