Igreja Universal é acusada de obrigar pastores a fazer vasectomia

Ex-pastor ganhou R$ 150 mil na justiça por “danos morais” após ser agredido por líderes


IURD é acusada de obrigar pastores a fazer vasectomia

O Ministério Público do Trabalho (MPT) de São Paulo condenou a Igreja Universal do Reino de Deus a indenizar com R$ 150 mil por “danos morais”, um ex-pastor. Ele prestou queixa às autoridades após ter sua casa invadida por três pessoas.



Afirmou que toda sua família foi agredida e expulsos da casa onde moravam. Líderes da IURD local o acusavam de apropriação indevida de valores, algo que não pôde ser comprovado.

O pastor diz ainda que foi obrigado a fazer cirurgia de vasectomia como condição para exercer o ministério na IURD.


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De acordo com a Folha de SP, a ação indenizatória foi julgada parcialmente procedente e a Universal recorreu. No julgamento do recurso, o desembargador Erickson Gavazza Marques declarou que havia “elementos que comprovavam a prática de atos ilícitos” e manteve a condenação. Contudo, reduziu consideravelmente o valor pedido originalmente pela família, que era de R$ 500 mil de cada autor.



Em seu despacho, escreveu: “Restando demonstradas nos autos as injustas agressões praticadas pelos prepostos da requerida (Universal), bem como a imposição de vasectomia a seus pastores, presentes estão os elementos essenciais da obrigação de indenizar, sendo que o desfecho da presente ação não poderia ser outro, senão o acolhimento do pedido de reparação pela ofensa moral experimentada pelos autores”.

Gavazza Marques encaminhou os autos ao procurador-geral de Justiça. Pede que seja apurada a eventual prática de ‘esterilização generalizada’ por parte da igreja.



Igreja nega prática de esterilização

O MPT propôs que a Universal assinasse um compromisso de interromper tal exigência. Seus advogados se recusaram, afirmando que ela não existe. “A acusação é desmentida facilmente pelo fato público e notório de que grande parte de nossos bispos e pastores têm filhos”, declarou a Universal em nota oficial. Esclarece que “planejamento familiar é um tema que deve ser debatido exclusivamente pelo casal e a instituição não interfere na questão”.

Em audiência, a igreja reconhece haver dez processos contra ela. Mas lembra que possui cerca de 10 mil pastores. Embora afirme que filhos dificultam o trabalho das lideranças de “propagar o evangelho pelo mundo”, a decisão de tê-los ou não é livre.

A unidade do MPT da cidade de Osasco procura reunir provas para entrar com uma ação civil pública contra a instituição. Ainda corre no Ministério Público do Estado de SP uma apuração na área criminal sobre as denúncias.




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