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“Jamais aceitaria ser ministra do Bolsonaro”, afirma Marina Silva

Ex-ministra de Lula defende que melhor forma de ajudar o futuro governo é fazendo “uma oposição democrática”


Marina Silva
Marina Silva. (Foto: Wenderson Araujo / Fotos Públicas)

Ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva teve pouco mais de 1 milhão de votos no primeiro turno, tendo ficado muito aquém das eleições de 2010 e 2014, quando também concorreu. A líder da Rede Sustentabilidade tornou-se uma forte opositora de Jair Bolsonaro ao longo da corrida presidencial deste ano e continua se posicionando como oposição a ele.

Fora do cenário político e com risco de ver seu partido acabar por não ter elegido o número mínimo de deputados que a nova lei eleitoral exigia, ela voltou a atacar o agora presidente eleito em entrevista ao jornal O Tempo.

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“O governo Bolsonaro sinaliza muitos retrocessos. Na minha área por exemplo, meio ambiente, é um retrocesso enorme”, avalia. Falando sobre um improvável convite para compor o próximo governo, garante: “Eu jamais aceitaria ser ministra do Bolsonaro. Eu disse no segundo turno que seria oposição a quem quer que fosse o eleito… Aliás, esse governo vai precisar de oposição, a melhor forma de ajudá-lo é fazendo uma oposição democrática, mostrando os equívocos e os erros”.

Para Marina, “quem é eleito não tem um cheque em branco, tem que cumprir a Constituição, e ela diz que é um direito do povo brasileiro o meio ambiente saudável e protegido.”

Ela minimiza o fraco desempenho de seu partido nas urnas. “A vitória só se mede na história. Conheço vitoriosos de momento que depois se mostraram na derrota e, na verdade, os vitoriosos foram aqueles que estiveram do lado certo.”

Dizendo que não pensa, no momento, em se candidatar novamente em 2020, Marina insiste que seu foco é outro. “É momento de pensar no Brasil, de se colocar junto à sociedade para defender a proteção da Amazônia, do Pantanal, das comunidades indígenas, da democracia e da liberdade de expressão”, assegura.

Enquanto faz, com seus correligionários, uma “avaliação interna” sobre o futuro da Rede, Marina explica porque decidiu apoiar Fernando Haddad (PT) no segundo turno, algo que lhe rendeu muitas críticas.

“Não participei de nenhuma mobilização, fiz uma manifestação de voto pessoal e individual”, lembra. Segundo ela, Bolsonaro “representava um risco para a agenda de proteção do meio ambiente e dos direitos indígenas, e o outro [Haddad], pelo menos, não representava isso”.

Mesmo assim, defende que é necessário “fazer uma autocrítica sobre os erros nas administrações petistas”.



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