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Lula está tentando se mostrar como “deus” para a esquerda, avalia analista político

Discursos do ex-presidente se assemelhariam a mensagens de seitas


Lula
Lula em caravana pelo Nordeste. (Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula)

O analista político Fernando Martins fez uma análise contundente sobre a postura do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva nos discursos públicos antes do petista ser preso.

Segundo o especialista, “Lula está transformando o PT numa espécie de seita religiosa em que ele é o ‘deus’ a ser venerado. A imersão de Lula no messianismo não é de hoje. Mas se intensificou desde janeiro, quando ele foi condenado pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) e ficou cada vez mais próximo de ser preso.”

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Para Martins, “Desde então, ele vem dizendo que não é mais um ser humano. Que virou uma ideia. Que vai viver nos outros, mesmo morto ou preso. Ao que tudo indica, trata-se de uma estratégia de comunicação muito bem pensada para estimular em seus seguidores algo que pode mover montanhas: a fé. Além disso, um “deus” não pode ser questionado pela razão; ele é o portador da verdade revelada”.

As comparações de Lula com Jesus Cristo já ocorreram no passado, sempre que o petista se sentia ameaçado e fazia questão de posar de vítima. Mas desde que ele começou a fazer suas viagens pelo país, sua estratégia de marketing foi tentar construir uma imagem associada a uma aura de “santidade”.

“A produção das imagens da caravana abusou da estética religiosa. Várias fotos da turnê de Lula mostravam o petista sendo “tocado” pelo povo – tal qual os fiéis buscam tocar na imagem de santos nas procissões”, destaca Martins.

De fato, o ex-ministro Antonio Palocci, preso pela Lava Jato, chegou a expressar sua indignação com esse tipo de tratamento. “Afinal, somos um partido político sob a liderança de pessoas de carne e osso ou somos uma seita guiada por uma pretensa divindade?”, questionou o ex-ministro, na carta pedindo sua desfiliação do PT, divulgada em setembro de 2017.

A postura “messiânica” assumida por Lula nos últimos meses ficou mais evidente em seus discursos. “Eu não sou eu. Eu sou a encarnação de um pedacinho de célula de cada um de vocês”, afirmou ele durante um ato político em Belo Horizonte (MG), em fevereiro.

A percepção dele como um ser humano “diferenciado” e figura religiosa foi escancarada nos atos que antecederam sua prisão. No culto ecumênico do lado de fora do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, no dia 6, o líder judeu Nelson Nisenbaum, muito aplaudido pelos presentes, bradou: “Lula é o nosso Moisés! Ele formou o povo brasileiro Ele nos fez cruzar o Mar Vermelho para chegar na liberdade! Viva Luiz Inácio Lula da Silva, Lula presidente”.

“Eu sou uma ideia”

No sábado (7), durante a missa que deveria ser em homenagem ao aniversário de sua esposa Marisa Letícia, falecida em 2017, parte do discurso de Lula foi sobre como ele transcendeu sua condição humana, para viver, mesmo preso ou morto, em cada um de seus apoiadores.

Já havendo decidido se entregar para a Polícia Federal, Lula apelou novamente para o misticismo. “Não adianta achar que tudo vai parar no dia que o Lula tiver um enfarte. É bobagem porque o meu coração baterá pelo coração de vocês e são milhões de corações. Não adianta eles acharem que vão fazer com que eu pare. Eu não pararei. Porque eu não sou mais um ser humano. Eu sou uma ideia. Uma ideia misturada com a ideia de vocês.”

A tentativa de Lula é se credenciar para as eleições de outubro, embora agora que é considerado “ficha suja” isso não seria mais possível. Mas a ideia de ser uma figura política que transcende a condição humana e como ele possivelmente quer ser lembrado no futuro, não é algo inédito nos movimentos de esquerda.

Ocorreu algo parecido com Fidel Castro em Cuba e Hugo Chávez na Venezuela, onde adquiriram uma devoção depois de suas mortes. O tempo dirá se a estratégia de Lula terá o mesmo efeito num Brasil historicamente tão afeito ao misticismo.



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