MENU

Malafaia: evangélicos podem ocupar 30% do cargos do governo de Bolsonaro

Pastor diz que se posiciona porque Brasil vive "guerra ideológica"


Jair Bolsonaro e Silas Malafaia
Silas Malafaia e Jair Bolsonaro em culto da AD Vitória em Cristo. (Foto: Reprodução / Youtube)

Amigo de longa data do presidente eleito Jair Bolsonaro, o pastor Silas Malafaia tem sido uma das vozes mais fortes na defesa desde às vésperas do primeiro turno, quando superaram as diferenças que os havia afastado.

Sempre ativo nas redes sociais, com seus discursos contundentes que misturam porções bíblicas com opiniões políticas sempre contra os “esquerdopatas”, Malafaia não tem papas na língua. Com a nomeação dos primeiros ministros, ele voltou a surgir com destaque na imprensa ao tentar emplacar aliados e barrar quem se distancia de seu pensamento.

Leia mais

Embora não seja parlamentar nem faça parte da bancada evangélica, posiciona-se como se fosse e com frequência é ouvido como uma espécie de “porta-voz” informal. Em entrevista à revista Crusoé desta semana, ele explicou que sua opção por posicionar-se desta forma é porque o Brasil vive uma “guerra ideológica”.

A proximidade de Bolsonaro com as lideranças evangélicas é conhecida. Segundo o Datafolha, cerca de 70% desse segmento votou nele, num total estimado de 22 milhões de votos. Considerada a pequena diferença no percentual que o separou do Fernando Haddad (PT), parece óbvio que este apoio foi fundamental.

Guerra ideológica

Isso não significa que o ministério do novo governo será formado de lideranças políticas evangélicas escolhidas a dedo, como insinua a grande imprensa. Por enquanto, apenas o futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, pode ser identificado com a bancada evangélica, bloco do qual fazia parte quando era deputado federal.

Na queda de braço política que se instalou no gabinete de transição, onde o discurso nem sempre está afinado, o embate mais ruidoso até agora foi na escolha do ministro da Educação. Embora o nome de Mozart Neves, do Instituto Ayrton Senna, fosse dado como certo, acabou sendo ‘fritado’ pelos evangélicos bolsonaristas.

Malafaia revela que a bancada evangélica, de fato, se opôs. “Fomos contra porque a questão da educação nos é importante. Os caras da esquerda estavam batendo palma e vibrando com o nome dele. Esse Mozart tem ligações com a esquerda, porque Viviane (Senna, que trabalha com ele) sempre teve vínculos com governos do PT”, explica.

O pastor diz que faz “ação política”. “Ninguém está pressionando para botar evangélico. A pressão não é essa. A pressão é não botar ninguém com alguma sombra de viés de esquerda. É algo que o Bolsonaro sempre defendeu. O que a bancada evangélica está falando desse monte de cara que já foi nomeado? Não está falando nada. A questão não é esta: se é evangélico ou católico. A questão é ideológica. Os evangélicos estão antenados por conta disso. É a guerra ideológica.”

O líder do ministério Vitória em Cristo defendeu o nome do procurador Guilherme Schelb, de quem é próximo. Perdeu. Bolsonaro escolheu Ricardo Vélez Rodríguez, professor da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, para a pasta. Foi uma indicação do filósofo Olavo de Carvalho.

Evangélicos no primeiro escalão

O deputado federal João Campos (PRB/GO), ex-presidente da Frente Parlamentar Evangélica, desponta como um dos favoritos para a presidência da Câmara. Contudo, Malafaia minimiza. “Os evangélicos não estão nessa. Ele é evangélico, pertence à frente, é um homem bacana, íntegro e direito. Não vou dizer que é o melhor. Vou dizer que é dos bons nomes. Se for Rodrigo Maia ou João Campos, a Câmara não fica mal, não.”

A compreensão do líder do Vitória em Cristo é que seria algo absolutamente normal de evangélicos ocuparem postos no primeiro escalão do governo. “Se [Bolsonaro] pegar um evangélico competente para uma área, qual o problema? Aqui tem um setor que representa 30% da sociedade. Se tiver 30% de evangélicos em postos do Executivo, não seria exagero. Está na linha proporcional da sociedade!”, defende.

O desejo explícito do líder religioso é que o senador Magno Malta seja nomeado logo. “Se for ministro, qual o problema? Se for da cidadania, que trata da área social, qual o problema? Magno tem uma expertise com tratamento de drogados, em obras sociais. Combateu pedofilia e narcotráfico. Sempre foi atuante. E o próprio Bolsonaro reconhece isso. Já falou para mim isso várias vezes, que reconhece a importância do Magno, e não só na seara evangélica.”

Bolsonaro, perto do ideal

Jair Bolsonaro se declara católico, mas frequenta há anos igrejas evangélicas na companhia da mulher. Seu histórico de defesa de pautas conservadoras no Congresso lhe gerou a simpatia da maioria dos evangélicos. Em 2018 conseguiu manter esse apoio embora houvessem dois evangélicos declarados na disputa à presidência.

Na análise de Malafaia, “[Jair] é o que mais chegou perto do que idealizamos. Anos atrás, os líderes evangélicos achavam que era preciso ter um presidente evangélico. Aos poucos, fomos acreditando que o presidente não precisava necessariamente ser evangélico. Bastava ser um cara com vida limpa, com objetivos de bem-estar para todos e com valores corretos. Bolsonaro encampou isso”.

Algumas decisões do capitão já estão sendo questionadas, incluindo a nomeação de pessoa que teriam envolvimentos no passado com práticas que ele diz combater. Seu argumento é que até serem considerados culpados, permanecerão nos cargos. Malafaia também defende o presidente-eleito nesta questão. “A gente não é criança. Não votamos em Deus. Votamos em um ser humano que está limitado a um sistema, que está limitado a leis e a outros poderes”, assegura o pastor.

A expectativa da população em geral sobre o novo governo é grande. Para Malafaia, os eleitores esperam que Bolsonaro “cumpra o que pretende fazer. Ele tem um projeto de resgatar o Brasil e limpar o país dessa ideologia de esquerda que não deu certo em lugar nenhum do mundo. Ele quer limpar e nós concordamos. Esperamos dele isso”.



Assuntos: , ,


Deixe sua opinião!