Marina Silva diz que religião não influencia voto: “Lula é católico, eu sou evangélica”

Pré-candidata à presidência diz aos brasileiros que "conhecendo a verdade, ela nos libertará"


Marina Silva diz que religião do candidato não influencia voto

O nome de Marina Silva já foi confirmado como pré-candidata à presidência pela Rede Sustentabilidade, partido fundado por ela. A ex-senadora pelo PT, concorreu em 2010 pelo PV e em 2014 pelo PSB. Na sua terceira tentativa de ser presidente, o fato de ela ser evangélica volta a ser tema de entrevistas.

Falando ao Estado de São Paulo, ela disse não acreditar que a religião dos candidatos influencie na hora do voto. “A minha fé é pública e é de conhecimento público… Eu sou evangélica da Assembleia de Deus, já fui quase freira, inclusive. Hoje eu sou convertida à fé evangélica, mas eu tenho muito respeito pelos meus irmãos católicos, tenho respeito pelas outras crenças, de quem tem origem afrodescendente, de quem tem origem em outras tradições religiosas e tenho respeito também por aqueles que não creem”, assegurou a acreana.

Marina minimiza a influência de uma postura que defenda as bandeiras geralmente associadas aos evangélicos, historicamente conservadores. Também acredita que a religião do candidato não influencia o voto. “Você não está na política como líder espiritual, mas para defender os interesses dos cidadãos e das cidadãs e todos eles têm iguais direitos perante a nossa Constituição, seja cristão, seja judeu, seja espírita, seja de religião de matriz africana, qualquer que seja, e até aqueles que não creem. Não imagino que as pessoas deixem de votar em função de você acreditar ou não em Deus. O presidente Lula é católico e nunca vi ninguém tendo preocupações, porque ele acredita em Deus”, assegurou.

Questionada sobre o aborto, assunto que, em outras eleições, resultou em críticas e a perda de apoio de lideranças como Silas Malafaia, a candidata da Rede reiterou sua posição: “Sou contra o aborto e tenho dito isso desde 2010. O que eu não faço é satanizar as pessoas que têm uma posição diferente da minha. O que é que nós queremos? Que ninguém possa ter uma gravidez indesejada. Obviamente que acredito que ninguém deva fazer o aborto como uma forma de evitar, como um método contraceptivo. Eu sou contra por convicções filosóficas, como muitas pessoas são, independente de questões religiosas”.

Ao falar sobre casamento gay e agenda LGBT, que possui defensores dentro de seu partido, Marina evita se posicionar contrária. “Se houver a compreensão correta de quem quer que seja de que somos um Estado laico e de que a nossa Constituição assegura os direitos das pessoas e de que elas têm a liberdade e o livre arbítrio de viver em conformidade com suas convicções”, tangenciou.

Nas eleições de 2014 esse assunto gerou uma certa polêmica em sua candidatura, novamente após uma cobrança pública de Silas Malafaia. Mas para este ano ela já fechou questão com a sua sigla. “Continuamos defendendo os direitos da população LGBT e o combate a qualquer atitude discriminatória. É só verificar no programa que, inclusive, tratava melhor do que o programa da Dilma e de outras candidaturas”, enfatizou.

Indagada sobre a prisão de Lula e o que acha do seu ex-companheiro de partido, que a nomeou ministra em 2003, ela preferiu não “personalizar” as acusações de corrupção, mas defendeu o cumprimento da lei. “É o sistema corrupto, é uma corrupção institucionalizada que vem sendo operada por todos os espectros políticos da política tradicional, infelizmente… Quem é que fica feliz com uma pessoa com a trajetória do Presidente Lula, com um ex Presidente da República vivendo uma situação como essa? Agora, nós temos que ver o funcionamento das instituições: empresários ricos, políticos poderosos, quem quer que seja. A lei tem que ser para todos. Não podemos ter dois pesos e duas medidas”.

Considerando a possibilidade de polarização nas eleições de outubro, Marina preferiu não fazer prognósticos. Segundo algumas pesquisas, sem Lula o nome dela e do deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) seriam os mais votados.

“Eu não tenho tanta certeza de que será o Bolsonaro que irá para o segundo turno comigo. Vamos esperar o povo tomar as suas decisões. As pesquisas são importantes e é importante que sejam feitas. Mas o processo democrático é sempre surpreendente e eu estou convicta de que essa é uma eleição em que eu vou participar dela literalmente para oferecer a outra face, a face de falar com transparência, o que eu penso e no que eu acredito…. Eu acho que o Brasil – graças a Deus, ou pelo menos eu espero – já esgotou a fase da mentira, da hipocrisia. Eu acredito na tese de que ‘conhecendo a verdade, ela nos libertará’”, encerrou.




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