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Ministro da Agricultura de Israel convoca oração no Muro para pedir chuva

Mais de 2.000 pessoas participaram de oração coletiva, clamando para Deus "rasgar os céus"


Apesar da tecnologia avançada, Israel está enfrentando uma grande seca em 2017. O ministro da Agricultura fez uma convocação especial nesta quinta-feira (28) na tentativa de acabar com a falta de água no país. Mais de duas mil pessoas foram com ele ao Muro das Lamentações, no centro de Jerusalém, fazer orações pedindo por chuva.

Há quatro anos o país enfrenta escassez hídrica intensa e isso tem sobrecarregado sua rede de usinas de dessalinização de água do mar e de tratamento de esgotos. Isso acabou sufocando as regiões mais férteis e pegando o governo desprevenido.

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Como os agricultores são os que mais sofrem, o ministro Uri Ariel, que é judeu ortodoxo, fez a opção pela demonstração de fé. Ele tem voz ativa na política de uso da água e nas maneiras como os recursos são alocados. Numa tentativa de equilibrar ciência e espiritualidade, uniu-se a rabinos influentes para organizar uma grande oração coletiva.

“Diminuímos significativamente o custo da água. Estamos realizando muitos estudos sobre como economizar mais água em diferentes lavouras, mas sabemos que a oração certamente pode ajudar”, disse Ariel.

O Muro das Lamentações é o local mais sagrado do judaísmo. Ali, a pequena multidão entoou uma oração especial para acabar com a seca. Estavam presentes também os dois rabinos-chefe de Israel, David Lau, da vertente asquenazi (descendentes europeus) e Yitzhak Yosef, dos sefarditas (descendência do Oriente Médio). Eles clamaram para que Deus “rasgasse os céus” e derramasse chuva sobre a terra seca.

Obviamente, a medida gerou polêmica. O Yedioth Ahronoth, um dos jornais de maior circulação do país, publicou um editorial afirmando que seria melhor Ariel se dedicar a defender políticas de combate às mudanças climáticas, como a limitação de emissões dos gases do efeito estufa na agricultura. “Orar não é uma coisa ruim, mas o ministro é capaz de influenciar (as questões) de maneiras ligeiramente mais terrenas”, afirmou o periódico.

Essa é a segunda controvérsia do ano envolvendo ministros de Estado e a oração. Em agosto, o Ministério da Educação foi criticado por incluir a oração como parte do “ciclo agrícola” do país.

O serviço meteorológico de Israel prevê que este será outro inverno seco. As chances de que haverá chuvas insuficientes em dezembro, janeiro e fevereiro é de 65%. Geralmente estes são os meses mais úmidos do ano, num país que historicamente sempre lutou contra a falta de chuvas.

Três quartos da água consumida em Israel vem das usinas de dessalinização, mas o aumento da população nos últimos anos gerou um aumento no consumo, algo que o governo ainda não foi capaz de suprir. Com informações de Times of Israel



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