Minorias cristãs são massacradas por budistas em Mianmar

Mídia mundial só defende os Rohingya, que são muçulmanos, esquecendo das outras minorias


Minorias cristãs são massacradas por budistas em Mianmar

Durante anos, a junta militar que governava Mianmar aplicou rigorosas medidas discriminatórias contra todos os grupos religiosos não budistas em nome da política de “uma nação, uma raça e uma religião”.

A mudança no regime político, em 2015, com a vitória de Aung San Suu Kyi, vencedora de um Prêmio Nobel da Paz, não teve grande efeito sobre a questão da perseguição religiosa. Ela iniciou um difícil processo de pacificação e reconciliação nacional.



Nos últimos meses, a mídia mundial passou a dar destaque à crise humanitária da etnia rohingya, de maioria muçulmana, que vem sendo massacrada em Mianmar em um conflito com contornos de limpeza étnica. A questão foi abordada até pelas Nações Unidas, que ameaçou intervir.

Fugindo do massacre estimulado por lideranças budistas radicais, cerca de 370 mil rohingyas fugiram de Mianmar para Bangladesh. Estima-se que o número de mortos possa chegar a 100 mil.

Contudo, as minorias Kachin, Chin e Naga, predominantemente cristãs, sofrem o mesmo tipo de discriminação religiosa institucionalizada. Os cristãos são vistos como uma religião estrangeira, que confrontaria a visão nacionalista, que estabeleceu o budismo como a única forma religiosa nacional aceitável.



Na verdade, a perseguição religiosa contra eles ocorre há décadas. Os argumentos usados contra elas são frágeis, uma vez que existem igrejas em Mianmar com mais de 500 anos. Por causa das restrições do governo, muitos cristãos são obrigados a usar propriedades privadas ou casas para fazer seus cultos.

Em áreas predominantemente budistas, dominadas pelos monges ultranacionalistas do movimento Ma Ba Tha, é quase impossível que os cristãos desfrutem de liberdade de culto.  Em dezembro de 2016, um relatório da Comissão sobre Liberdade Religiosa Internacional (USCIRF) destacou alguns dos piores episódios de intimidação e violência contra os cristãos no país asiático.

Estas violações incluem ataques a igrejas e locais de culto, prisões de líderes por acusações de “conversões forçadas e lavagem cerebral” e desapropriação de terras pertencentes a cristãos.

As Forças Armadas de Myanmar (Tatmadaw) danificaram e destruíram muitos locais de culto. Com quase total impunidade, continuam a cometer abusos de direitos humanos, como a violência sexual dentro das igrejas e a tortura de pastores.

Em Kachin, depois de mais de cinco anos de conflito, mais de 120 mil pessoas foram forçadas a fugir e a viver em condições desesperadas, esperando retornar. Enquanto o conflito persistir, não há perspectivas reais de Kachin deslocados internamente para retornar a uma situação de segurança e dignidade.

As mortes de membros das etnias Kachin (norte), Chin (oeste) e Naga (nordeste), geralmente são ignoradas, uma vez que a discriminação religiosa é, muitas vezes, institucionalizada. Com informações Asia News




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