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Missionário morto por tribo acreditava estar indo à “última fortaleza de Satanás”

John Allen Chau deixou diário e uma “carta profética” para a família


John Allen Chau
John Allen Chau. (Foto: Reprodução / Instagram)

A história do assassinato de John Allen Chau, de 26 anos, repercutiu mundialmente. Para uns ele era um missionário destemido, para outros um aventureiro inconsequente. O jornal The Washington Post divulgou trechos do diário escrito pelo jovem antes de entrar numa tribo isolada que vivem na Ilha Sentinela do Norte, na costa da Índia.

O registro, de próprio punho, tem 13 páginas e foi escrito com caneta e lápis. O acesso à ilha é proibido para estrangeiros. O governo indiano tenta preservar o estilo de vida dos indígenas, transformando o local em uma reserva.

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Em seu diário, Chau dizia estar decidido a pregar o Evangelho aos membros da tribo que nunca teve contato com a civilização. Sabendo da proibição de acesso à Ilha, negociou com pescadores que o levaram à noite até um local próximo à costa. O trecho final ele percorreu sozinho, em um caiaque. Levava consigo itens como tesouras, alfinetes e peixe, que seriam presenteados aos membros da tribo. Ele tinha entrado em contato com eles outras vezes.

Na última experiência registrada no diário, Chau conta que assim que os viu, começou a cantar hinos de louvor, mas foi surpreendido por um jovem que atirou uma flecha em sua direção. Chau explica que a seta atingiu sua Bíblia. “Estou assustado”, diz seu último registro, na véspera de sua morte.

Como este contato foi malsucedido, voltou para o barco onde estavam os pescadores. No dia seguinte, tentaria um novo contato com os membros da tribo. Os homens que estavam em barcos à uma distância segura, relatam que logo que o jovem chegou na praia, os aborígenes o atacaram, disparando flechas.

Seu corpo foi arrastado por uma corda até a areia da praia e enterrado ali. Nenhum dos pescadores quis regatá-lo, com medo dos indígenas.

Carta profética

Os textos escritos pelo missionário deixavam claro que ele tinha a firme convicção de que estava sendo um “instrumento de Deus” para alcançar aqueles indígenas.

“Senhor, esta ilha é a última fortaleza de Satanás, onde ninguém ouviu ou teve a chance de ouvir o seu nome?”, escreveu ele. Sua mãe, que recebeu o diário da mão de um dos pescadores, conta que Chau sabia que sua missão era ilegal.

Em outra passagem, falou sobre a necessidade de evitar as autoridades indianas que patrulham as águas perto da Ilha Sentinela Norte. “O próprio Deus estava nos escondendo da Guarda Costeira e muitas patrulhas”, afirmou em uma descrição da última jornada de barco.

A família também divulgou que o missionário lhes deixou uma “carta”, considerada profética. Nela, ele pediu aos pais que “não ficassem bravos” com ele e com Deus se morresse. Diz ainda que “estava fazendo isso para estabelecer o reino de Jesus na ilha. Mas não culpem os nativos se eu for morto”.

Os habitantes da Ilha Sentinela Norte vivem de maneira isolada há milhares de anos. De acordo com organizações que realizam o monitoramento à distância dessa comunidade, são pelo menos 100 pessoas vivendo no local, uma área de floresta com aproximadamente 60 quilômetros quadrados.



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