Eleições da CGADB tem inscrições de pastores mortos

Há menos de um mês para o pleito, liminar cancela 10479 inscrições consideradas irregulares no processo.


Eleições da CGADB tem inscrições de pastores mortos

Faltando exatos 29 dias para as eleições da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB), uma liminar expedida pela comarca de Peixe Boi, no Pará, cancelou 10479 inscrições consideradas irregulares no processo, que vem seguindo de forma tumultuada e eivada de denúncias de fraudes. Entre as irregularidades, nomes de pastores mortos, além de outros já desligados da convenção foram encontrados em listas de inscrições.

Já se somam pelo menos meia dúzia de liminares ingressadas em diversos estados do país com a finalidade de coibir e cancelar atos supostamente ilícitos cometidos no processo eleitoral da nova diretoria da entidade.



Segundo o pastor Geremias do Couto, muitos pastores de diversas convenções tiveram seus nomes inscritos sem sua autorização, e com a utilização de números de celulares e e-mails inexistentes. Entre as inscrições, foram encontrados nomes de pastores desligados e ainda outros de falecidos, sendo que muitas das inscrições foram feitas em massa por meio de um único e-mail e a partir do mesmo IP.

Os dados e irregularidades foram atestados inclusive por auditores independentes contratados para análise do processo. Um relatório foi entregue à comissão eleitoral da CGADB, mas esta não tomou as providências cabíveis diante dos fatos e questionamentos levantados, limitando-se a responsabilizar as convenções pelo envio das informações referentes às inscrições.

Com a impossibilidade de uma solução negociada através do diálogo com a entidade, diversos juristas, alguns dos quais pastores, passou a ajuizar ações de diversos pontos do país a fim de reparar os possíveis atos ilícitos cometidos no processo eleitoral.



Candidato cassado

Em 8 de fevereiro, uma ordem judicial oriunda de mais uma liminar determinou a cassação da candidatura de José Wellington Bezerra da Costa, filho do atual presidente José Wellington Bezerra da Costa, por não ter se desincompatibilizado do cargo de presidente da Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD), o que deveria ser feito de acordo com a regra expressa no edital que regulamenta o processo eleitoral.

Em seguida a justiça mandou que a empresa Sctyl, responsável pela execução do sistema de votação eletrônico, excluísse o nome de José Wellington após a anulação de sua candidatura.

A eleição da nova mesa diretora está marcada para 9 de abril de 2017. O pleito é motivo de muita expectativa entre os integrantes da denominação, já que após 25 anos, o pastor José Wellington Bezerra da Costa não estaria mais concorrendo.

A disputa seria entre seu filho, José Wellington Junior e Samuel Câmara, presidente da Assembleia de Deus em Belém e Cícero Aparecido Tardim, presidente da Assembleia de Deus Alto Piriqui (PR).

A Assembleia de Deus, fundada em há 102 anos no Brasil possui em seus quadros cerca de 100 mil pastores, é a confissão evangélica com maior número de fiéis no país. Segundo o último censo do IBGE, a denominação tem hoje aproximadamente 12,3 milhões de membros.




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