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“[Na ONU] O mundo islâmico mostrou seu poder quando se une”, avisa Erdogan

Presidente da Turquia defende regime que cometeu genocídio contra cristãos na África


Recep Tayyip Erdogan
Recep Tayyip Erdogan

O presidente Recep Tayyip Erdogan está em visita ao Sudão, norte da África, onde se reuniu com seu homólogo Omar Al-Bashir, no Sudão. Em seu discurso durante o encontro oficial, afirmou que a cúpula extraordinária da Organização para a Cooperação Islâmica (OCI), realizada em Istambul, em 13 de dezembro, foi um sucesso.

O principal tema foi o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel. Além de exigir que Trump voltasse atrás, a OCI afirmou que reconhecia Jerusalém Oriental como a capital da Palestina.

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Dirigindo-se ao Parlamento sudanês, Erogan afirmou: “O fim da injustiça e as decisões que faltam no bom senso é uma grande frustração, e o último exemplo disso são os avanços que ocorreram contra Jerusalém. A quem o presidente Donald Trump perguntou? Ele tomou essa decisão sozinho. Não era necessário que ele se encontrasse com os países islâmicos e o mundo cristão antes de tomar essa decisão? Eu sou o presidente rotativo da Organização para a Cooperação Islâmica. Ele não se encontrou comigo nem com o papa”, acrescentou.

Prosseguiu, assegurando que a OCI demonstrou sua força ao levar o assunto para ser discutido na Assembleia Geral das Nações Unidas, onde 128 países – incluindo o Brasil – aprovaram uma resolução considerando o reconhecimento de Jerusalém como “nulo e sem efeito”.

O presidente turco foi enfático: “Agradeço aos 128 países da Assembleia Geral das Nações Unidas por permanecerem fiéis na justiça. A cúpula extraordinária da Organização para a Cooperação Islâmica, que concluiu com grande sucesso, mostrou mais uma vez como o mundo islâmico pode ser forte quando se une. O governo dos EUA também recebeu outro golpe no Conselho de Segurança da ONU. Os EUA, que ficaram sozinhos lá, destacaram a legitimidade de nossa oposição. É o que eu sempre digo, o mundo é maior do que os cinco países. Além disso, é maior do que um país. Também mostramos isso a ele”.

Falando sobre os próximos temas da OCI, que demonstrou sua capacidade de pautar a ONU, avisou: “Que ninguém espere que os muçulmanos rohingya sejam massacrados diante dos olhos do mundo inteiro e que permaneceremos em silêncio antes dos ataques contra o povo palestino, as crises humanitárias na Síria, Iraque, Líbia, Iêmen e Somália e os problemas na bacia do Deserto do Chade”.

No final do encontro, Erdogan recebeu a “Condecoração do Estado” das mãos do líder sudanês. Omar Al-Bashir é o presidente do Sudão desde 1989 quando tomou o poder após um golpe de Estado. Foi o principal responsável pelo conflito em Darfur, pelo qual foi condenado por um tribunal internacional de crime de guerra, uma vez que seu regime por mais de uma década promoveu um genocídio contra não islâmicos. Foram mais de 300 mil pessoas assassinadas, sobretudo cristãos. Em 2009, o presidente turco foi um dos grandes defensores de Al-Bashir, a quem chamou ontem de “irmão”.

Jerusalém une os islâmicos

Falando à imprensa, o porta-voz presidencial da Turquia, İbrahim Kalın afirma: “Jerusalém nos uniu a todos. Tanto os diferentes partidos políticos no Parlamento [turco], quanto países conflitantes como o Irã e a Arábia Saudita. Da Europa à África, até o Vaticano e os cristãos no Oriente Médio. Um consenso foi formado. O principal problema na questão palestina é a ocupação israelense”.

“Discriminar contra os árabes e demonizar os palestinos faz parte desta política em que Israel legitima sua violência aos olhos do Ocidente, alegando que enfrenta uma massa irracional, autoritária, terrorista, antiliberdade, antimulheres, e totalmente emocional. Essa abordagem está envenenando as relações entre o Islã e o Ocidente”, finalizou Kalın. Com informações Daily Sabah



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