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O que o Hamas quer com protestos contra Israel

Palestinos queimam milhares de pneus durante "Marcha do Retorno" na fronteira


Palestinos carregam pneus para o fogo.
Palestinos carregam pneus para o fogo. Foto: (AFP/Mahmud Hams)

Após os graves confrontos na fronteira da Faixa de Gaza com Israel, que deixaram 18 mortos na semana passada, milhares de palestinos retomaram à cerca que limita os dois territórios nesta sexta (6). Organizada pelo grupo terrorista Hamas, o evento de hoje faz parte da chamada “Marcha do Retorno”, mas incluía uma estratégia diferente. Milhares de pneus foram queimados com o objetivo de fazer uma “cortina de fumaça” para bloquear a visão dos soldados israelenses.

Israel havia alertado que suas ordens de disparo, contra qualquer um que invadir seu território, continuarão vigorando durante as manifestações previstas para ocorrerem todas as sextas-feiras – dia sagrado para os muçulmanos – até 15 de maio, após o aniversário de 70 do ressurgimento do Estado judeu.

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“Se houver provocações, daremos uma resposta dura. Não temos a intenção de mudar as ordens de disparo e continuamos com a mesma linha”, advertiu o ministro da Defesa, Avigdor Lieberman. Em entrevista a uma rádio, foi contundente ao alertar: “Não enfrentamos uma manifestação, e sim uma operação terrorista. Praticamente todos os que participam dela recebem um salário do Hamas ou da Jihad Islâmica”.

As ações relativas a “Marcha do Retorno” de hoje foram muito menores que na semana passada, quando cerca de 30 000 palestinos lançaram pedras e coquetéis molotov contra os soldados israelenses, enquanto gritavam “morte aos judeus”.

Desta vez não houve tentativa de invasão em massa e um homem foi morto durante a madrugada enquanto tentava colocar um artefato explosivo na cerca. A atuação do exército de Israel foi proporcionalmente mais comedida, optando por lançar bombas de gás lacrimogêneo através de drones e atirar com balas de borracha.

Os tiros com munição de verdade foram apenas contra os palestinos que atiravam contra os soldados israelenses. Segundo as autoridades palestinas, 40 pessoas ficaram feridas no confronto.

O que o Hamas ganha com isso?

Colocar milhares de civis em uma situação de alto risco em nome de sua causa político-religiosa é uma atitude corriqueira entre os dirigentes do Hamas. A “Marcha do Retorno” não é diferente.

Nas últimas semanas, pelo menos uma dúzia de terroristas armados ultrapassaram a fronteira com Israel com o objetivo de fazer atentados. O homem morto nesta madrugada, segundo revelam as imagens, vestia um colete com explosivo, comum dos homens-bomba, indicando que tentaria um atendado suicida.

Todas as manifestações programadas para as próximas 5 sextas-feiras fazem parte do jogo político entre os dois grupos que governam os territórios palestinos. O Hamas, grupo minoritário que governa a Faixa de Gaza e que prometeu devolver o controle para o Fatah, partido que governa a Cisjordânia por meio da Autoridade Palestina (AP) e que possui seu próprio grupo armado.

Com 25 mil combatentes e 50 mil pessoas em “cargos públicos”, o Hamas havia se comprometido a entregar, em 1º de novembro de 2017, o controle de todos os postos de fronteira de Gaza à Guarda Nacional do presidente da Autoridade Palestina (AP), Mahmoud Abbas. Um mês depois, iria deixar o controle administrativo de Gaza nas mãos do Fatah. O que acabou não acontecendo.

São cerca de dois milhões de habitantes na Faixa de Gaza. Há uma alta taxa de desemprego e o acesso a água e eletricidade é precário para a maior parte da população empobrecida. A maior parte do orçamento é investido em armamentos.

No mês passado, o comboio do primeiro-ministro Rami Hamdallah, da AP, entrava em Gaza para uma visita oficial quando foi atingido por uma bomba. O premiê não foi atingido, mas sete seguranças ficaram feridos.

O resultado foi um acirramento das relações. A AP suspendeu os repasses financeiros para Gaza e o pagamento de salários dos funcionários públicos. A Marcha do Retorno é vista por especialistas como uma maneira do Hamas criar um novo conflito para chamar atenção do mundo e tentar conseguir financiamento do exterior, como já fez em outras ocasiões.

Também acredita-se que os protestos tem a influência do Irã. Desde 2011 o Hamas perdeu o patrocínio de Teerã por conta da guerra na Síria. Porém, o atual líder de sua força armada, Yahya Sinwar é um grande parceiro do Irã.

A “carta de apoio ao Hamas” divulgada esta semana pelo líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, é vista como um aumento da influência do Irã no conflito.

Teerã sempre manteve a retórica de “destruir Israel”. Para o cientista político André Lajst, da organização StandWithUs, “O Irã é especialista em criar distúrbios pelo mundo e a Guarda Revolucionária do país faz parte da tomada de decisões do Hamas”. Com informações de Times of Israel e Veja



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