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Os primeiros cristãos não gostavam da imagem de Jesus crucificado, explica teólogo

Primeiros crucifixos datam da Idade Média e geraram controvérsia


O teólogo espanhol Juan Arias publicou um extenso artigo no jornal El País, explicando por que os primeiros cristãos não gostavam da imagem de Jesus crucificado. Parece haver um renovado debate sobre qual seria a verdadeira “face” de Cristo, com a emissora BBC trazendo a tona uma reconstituição que mostra um homem baixinho, com feições mais africanas que semíticas.

A história mostra que a primeira imagem de Jesus Cristo crucificado era ofensiva. Chamado de “grafite de Alexámenos”, o desenho esculpido em gesso em uma parede data entre os séculos I e III. Representa um homem com cabeça de burro numa cruz, com a inscrição: “Alexámenos adora ao seu deus”.

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Acredita-se que com esta era uma maneira de caçoar da fé dos cristãos na época, como esse identificado como  Alexámenos. A figura hoje está no Museu Antiquarium Palatino de Roma.

Primeira imagem conhecida representando Jesus crucificado

Conforme destacou Arias, a veneração da imagem de Jesus crucificado se popularizou séculos depois de sua morte. Foi o Concílio de Niceia, no ano 325, que ‘autorizou’ oficialmente o uso da imagem do crucifixo pelos cristãos. Registros indicam que nos  primeiros séculos do cristianismo as representações de Jesus não recordavam a pena de morte atroz que os romanos infligiam aos criminosos.

Como o apóstolo Paulo declarou, “se Cristo não ressuscitou […] é vã a nossa fé” (1 Co 15:14), logo, os cristãos da Igreja primitiva não faziam pinturas nem esculturas de Jesus crucificado, só um Cristo glorioso. Nas catacumbas romanas, onde eles se escondiam da perseguição, não existem pinturas de Jesus na cruz.

Geralmente, o Salvador é representado como um pastor, celebrando a Última Ceia com os apóstolos, ou realizando milagres. Nunca morto.  A imagem “O Bom Pastor”, encontrada nas catacumbas de São Calixto, em Roma, foi pintada no início do século III.

Quando o imperador Constantino tornou o cristianismo a religião oficial do Império Romano, a partir de 313,  a representação da cruz passou a se popularizar, mas sem o corpo de Jesus.  Ele afirmava que antes da batalha contra Magêncio, viu uma cruz e ouviu uma voz que dizia: “Com este signo vencerá”.

O imperador ganhou a batalha, e sacralizou o sinal da cruz, que foi aceito como símbolo cristão pelo Concílio de Niceia.

As imagens do rosto de Jesus variavam muito, uma das mais conhecidas dele com o aspecto mais conhecido (cabelo cumprido e barba) foi encontrada no cemitério de uma vila imperial que pertencia a Constantino e data do século IV.

Imagem de Cristo em uma villa de Constantino

Conforma destaca Arias, os primeiros crucifixos – com o Jesus agonizante ou morto – só apareceram só no século V, e suscitou  muitas polêmicas. Naquela época, os cristãos continuavam preferindo representar Jesus vivo ou ressuscitado.

Foi somente na Idade Média, mais de mil anos depois da morte de Jesus, que definitivamente se popularizaram as representações dos crucifixos, com o corpo dele mostrando os sinais de dor, sangrando pelas mãos, os pés e nas laterais. Em muitas igrejas católicas do mundo, essa ainda é a figura mais comum.



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