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Palestina protesta contra mudança de embaixada brasileira para Jerusalém

Bolsonaro já declarou não reconhecer Palestina como nação


Ibrahim Zeben
Embaixador da Palestina em Brasília, Ibrahim Zeben (Foto: AFP)

O anúncio oficial do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) sobre a mudança da embaixada brasileira em Israel para Jerusalém foi comemorado pelo governo de Israel. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu classificou a decisão como “correta e emocionante”.

Porém, o desejo do capitão em aproximar-se de Israel e estreitar as relações bilaterais gerou críticas do embaixador da Palestina em Brasília, Ibrahim Zeben. Ele afirmou à imprensa brasileira que considera a decisão um “erro de cálculo e um desvio da posição tradicional do Brasil de respeito ao direito internacional”.

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O diplomata adota o conhecido discurso antissionista ao afirmar que “Jerusalém é uma cidade ocupada”. Para ele, o novo governo brasileiro não teria porque contrariar as Nações Unidas que não reconhecem a soberania israelense sobre a cidade.

“É uma tradição do Brasil, desde 1947, respeitar o direito internacional e não dar esse reconhecimento. Isso não é linha do PT, da direita ou da esquerda, mas uma tradição diplomática”, pondera. Diz ainda estar disposto a dialogar com o Itamaraty, uma vez que as mudanças na pasta das Relações Exteriores só devem iniciar depois de 1º de janeiro.

Zeben acredita a situação pode mudar até lá. “Teremos a maior boa-vontade de explicar ao futuro governo brasileiro a posição palestina. Teremos mais dois meses para isso”, completou.

Em agosto, ainda durante a campanha, Bolsonaro afirmou que caso fosse eleito, iria retirar a Embaixada da Palestina do Brasil. A representação diplomática não deveria estar em Brasília porque ““a Palestina primeiro precisa ser um Estado para ter direito a uma embaixada.”

Sua postura é totalmente oposta à dos governos do Partido dos Trabalhadores. O Brasil reconheceu a Palestina como um Estado em 2010, no último ano de governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2016, lembra, ocorreu a inauguração da representação oficial da Autoridade Palestina em Brasília.

“A Dilma negociou com a Palestina e não com o povo de lá. Você não negocia com terrorista, então, aquela embaixada do lado do (Palácio do) Planalto, ali não é área para isso”, destacou Bolsonaro.

Ciente da postura do peselista, que declarou “amar Israel”, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, chegou a enviar uma carta parabenizando e desejando sucesso ao eleito no Brasil.

No texto, destaca que “estima pelas relações de amizade histórica” e tem certeza da “continuidade das posições equilibradas do Brasil em apoiar a paz justa almejada pelos povos da região como um todo, para que possamos, juntos, gozar da segurança, da estabilidade e do bom convívio com os nossos vizinhos”.



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