Palestinos queimam foto de Trump e falam em morrer lutando

EUA congela repasses à Autoridade Palestina e investiga patrocínio do terrorismo


Palestinos queimam foto de Trump e falam em morrer lutando

Grande parte da mídia ocidental não tem retratado o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel e a mudança da embaixada de maneira transparente. Enquanto muito do foco recai sobre o presidente Donald Trump, essa é uma questão com várias ramificações políticas, religiosas e – para os que creem na Bíblia – proféticas.

Esta quarta-feira (6) pode entrar para a história após o anúncio oficial da Casa Branca. Porém, não é uma decisão pessoal do presidente. Em 1995, foi aprovada pelo Congresso dos Estados Unidos o reconhecimento da condição de capital e determinada a relocação da embaixada para Jerusalém. Mas um dispositivo legal permitia que, de seis em seis meses, ela fosse prorrogada. Essa brecha foi usada por Bill Clinton, George Bush Jr. e Barack Obama, que sempre postergavam a decisão, alegando questões de segurança.

Mesmo sabendo que causaria uma forte reação contrária, Trump ao mesmo tempo que cumpre a lei, cumpre a promessa feita na campanha eleitoral, onde assumiu várias pautas que agradavam à sua base eleitoral cristã e conservadora.

Outra decisão tomada por Trump, que acabou ofuscada em meio à grande repercussão do anúncio histórico, foi a de congelar todos os repasse dos Estados Unidos para organizações palestinas. A Autoridade Palestina, que possui braços militares considerados facções terroristas, sabidamente paga altas somas para as famílias daqueles que cometem atentados em Israel, no que foi chamado “programa pague para matar”.

A nova legislação foi apelidada de Taylor Force, nome do estudante americano morto por um palestino enquanto visitava Israel em março de 2016. O Congresso diz que as verbas enviadas pelos EUA só voltariam a ser disponibilizada se o Departamento de Estado garantir que os palestinos encerrarem “atos de violência contra cidadãos israelenses e cidadãos norte-americanos que são perpetrados ou materialmente assistidos por indivíduos sob seu controle jurisdicional”.

Ou seja, a Autoridade Palestina teria de revogar quaisquer leis ou regulamentos que fazem pagamentos a terroristas (ou suas famílias) e devem condenar publicamente os atos de violência. Os congressistas querem uma investigação mais profunda se a Autoridade Palestina, de fato, patrocina o terrorismo com dinheiro que deveria ser usado para causa humanitárias.

Obviamente, as duas decisões deixaram Abbas frustrado, pois aumenta a pressão sobre ele, que já conta com rejeição de grande parte da população palestina, após sucessivas denúncias de corrupção e a total falta de transparência em sua gestão.

Segundo anunciou seu porta-voz, o presidente palestino falou nos últimos dias com todos os líderes árabes e europeus que ele conseguiu, avisando que esta ação poderia levar à violência. O Hamas, facção terrorista que domina a Faixa de Gaza, anunciou que haverá “dias de fúria” contra os israelenses e ameaça uma nova ‘intifada’, ou atos de guerrilha. O discurso é que eles irão morrer lutando pela sua soberania.

Analistas admitem que todos os atos daqui para a frente serão orquestrados, pelo próprio presidente ou por seus auxiliares, como ocorria nos tempos de Yasser Arafat e sua Organização Pela Libertação da Palestina (OLP). Manuel Hassassian, que é representante da OLP disse à BBC que Trump “Está declarando guerra no Oriente Médio. Ele está declarando guerra contra 1,5 bilhão de muçulmanos que não irão aceitar que os santuários sagrados estejam totalmente sob a hegemonia de Israel”.

No centro do argumento de Abbas, conforme deixa claro desde as negociações em Camp David, no ano 2000, é a possibilidade concreta de que Israel estabeleça a soberania sobre Jerusalém e retome o controle do Monte do Templo. Parte do acordo de paz, após a Guerra dos Seis Dias, em 1967, o local oficialmente está sob jurisdição da Jordânia, mas é controlado pelos palestinos.

Chamado pelos islâmicos do mundo todo de “esplanada das mesquitas”, é considerado o terceiro local mais sagrado do islamismo, embora não seja mencionado no Alcorão. O temor não declarado é que os judeus construam ali o Terceiro Templo e retomem as práticas milenares de sua religião.

Sendo uma batalha político-religiosa, as negociações de paz entre israelenses e palestinos invariavelmente esbarram nessa questão.

Fontes do governo dos EUA indicaram que funcionários estão instruídos a começar a planejar a mudança da embaixada imediatamente, mas a transferência não tem prazo. Ela poderia demorar de três a quatro anos, o tempo necessário para construir um prédio para a embaixada.

Segundo a imprensa, assessores da Casa Branca afirmaram que a decisão “reconhece a realidade” da situação em Israel e poderia favorecer o processo de paz na região, partindo de bases mais realistas.

Reações políticas e religiosas

Rapidamente, líderes do Oriente Médio se manifestaram contrário à intenção de Trump em mudar o status de Jerusalém, iniciativa que – temem eles – pode ser seguida por outros países. Mahmoud Abbas encontrou rapidamente o apoio do rei da Jordânia, Abdullah II. Por telefone, o rei Salman, da Arábia Saudita, avisou ao presidente americano que a mudança da embaixada “é uma iniciativa perigosa” e pode gerar “a ira dos muçulmanos em todo o mundo”.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, foi à TV mandar um recado ao líder americano: “Senhor Trump! Jerusalém é uma linha vermelha para os muçulmanos”. No mesmo discurso, convocou uma cúpula para o dia 13/12 com os 57 países-membros da Organização Pela Cooperação Islâmica, que ele preside, deixando claro que poderá intervir militarmente.

A Liga Árabe – organização essencialmente política – e o principal corpo de líderes islâmicos al-Azhar – organização religiosa – também enfatizaram que a embaixada poderia ter sérias consequências.

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, usou o Twitter para fazer uma declaração forte, fazendo referência à Ummah, expressão religiosa para se referir a todos os muçulmanos da terra.

“É por desespero e debilidade que eles querem declarar Al Quds [nome islâmico para Jerusalém] como capital do regime sionista. Na questão da Palestina, suas mãos estão amarradas e eles não conseguem alcançar seus objetivos. A vitória pertence à Ummah islâmica. A Palestina será livre, a nação palestina alcançará a vitória”.

E acrescentou: “Hoje, os inimigos e outros se alinharam contra a Ummah e o caminho do Profeta do Islã: EUA, a arrogância global, o regime sionista, bem como reacionários e figuras hedonistas entre a Ummah”. Com informações Times of Israel [2] e NY Times




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