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Parem de usar o termo “Palestina”, isso não existe na Bíblia, pedem teólogos

Questão é antiga, mas muita gente ignora o que isso significa


O doutor Michael Brown, teólogo, autor e apresentador do programa cristão Line of Fire, está fazendo um apelo público para as editoras de Bíblias. Ele questiona as motivações para a palavra “Palestina” estar aparecendo cada vez mais em edições recentes.

Seja em mapas, notas de rodapé ou comentários em Bíblias de Estudo, para ele esse é um grande equívoco. O caso mais recente é a nova edição da tradução New American Standard Bible (NASB), que optou em usar o termo “Palestina” em subtítulos ou cabeçalhos. Ele se refere às frases em negrito usadas por diferentes versões das Escrituras para destacar o assunto que determinado capítulo ou porção bíblica se refere.

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A polêmica não é nova, mas Brown diz que não se trata somente de um anacronismo, é uma questão histórica-teológica bastante séria. Por exemplo, a NASB usa o seguinte cabeçalho antes de Josué 10:29: “Josué conquista o sul da Palestina”. Da mesma forma, antes do texto de Josué 11:1 há a frase: “Tomada do Norte da Palestina”.

“O problema”, lembra Brown, “é que Palestina não existe, se o local precisa ser chamado por algum nome, que seja Canaã”.

Para o teólogo, muitos editores possuem a preocupação sadia em fazer materiais de Estudo que facilitem o entendimento do público, mas esse tipo de coisa remete ao supersessionismo, a interpretação chamada de “teologia da substituição” onde, equivocadamente, a igreja é vista como o ‘Israel espiritual’ e que ignora muitas das promessas de Deus para a nação de Israel.

Brown lembra que, debates a parte, isso não faria sentido especialmente no Antigo Testamento.

“Eu simplesmente estou questionando por que usar o termo completamente equivocado Palestina, já que ele só passou a designar aquela parte do mundo durante a conquista romana”, cerca de um século após a morte de Cristo.

O teólogo resgata alguns argumentos bem conhecidos, lembrando que Palestina é uma tradução do latim para Filístia, a terra dos filisteus. A palavra passou a ser usada por ordem do imperador romano Adriano, que odiava o povo judeu. Em 135 d.c., ele decretou que a Judéia passasse a ser denominada ‘Palestina’, que remetia ao povo inimigo de Israel que havia se extinguido mais de 600 anos antes.

Adriano, que lidava com a revolta dos judeus liderada por Bar Kokhba na época, também mudou o nome de Jerusalém para ‘Aelia Capitolina’ [Capital do Sol]. Seu objetivo declarado era apagar o nome de Israel da história.

O uso ‘cristão’ do termo

Os registros históricos mostram que os termos Palestina e Aelia Capitolina caíram em desuso após a morte de Adriano. Jerusalém nunca mais foi chamada dessa maneira, porém “Palestina” é encontrado nos textos de Eusébio, um historiador da Igreja que vivia em Cesaréia. Por volta do ano 300 d.C., ele escreveu sobre o fim da perseguição romana aos cristãos e como o imperador Constantino começava a aceitar o cristianismo.

Brown não é o único a questionar o seu uso. O Doutor Thomas S. McCall, teólogo que escreveu extensivamente sobre o tema, explica que por séculos a ideia de uma terra da Palestina, em substituição a Israel, foi usado na literatura. Mesmo assim, ninguém falava sobre um “povo palestino”, pois judeus e cristãos conviviam na região durante muito tempo. Quando o islamismo começou a se expandir no Oriente Médio, Jerusalém passou a ser chamada de “Al Quds” [A Santa], mas como um termo religioso, não uma redesignação oficial.

Porém, a ideia de uma Palestina se firmou definitivamente quando os britânicos retomaram a região da mão dos turcos otomanos, depois da Primeira Guerra Mundial. Na época, eles chamavam os dois lados do rio Jordão de Palestina.

Ficou consolidado como um termo geopolítico, mas todos os que viviam na Terra Santa eventualmente eram chamados de palestinos, quer fossem eles judeus, árabes ou europeus.

Embora essa palavra jamais apareça no texto bíblico, no final de muitas Bíblias os mapas dizem “A Palestina no Tempo de Jesus”. É uma opção estranha, considerando que nunca houve uma Palestina nos dias de Jesus. Pode ser uma tradição consolidada, mas não deixa de ser má teologia.

Para McCall, o uso de Palestina na Bíblia “é mais do que apenas errado, é devastador quando, em nossos dias, esse termo é a pedra de esquina da guerra da propaganda política contra Israel e contra o povo judeu. Será que queremos usar termos inventados por aqueles que odeiam a Cristo, a Bíblia e Israel? Será que queremos utilizar termos usados pelos inimigos de Israel que desejam realizar nada menos do que a destruição do povo judeu? Acho que não!”

O estudioso faz um apelo veemente: “Os cristãos deveriam usar a terminologia da Bíblia sempre que possível. Por que não voltamos aos termos usados no Novo Testamento? Os escritores dos Evangelhos usaram o termo “Israel” para se referirem à Terra Santa. Por que deveríamos usar qualquer outro termo quando nos referimos à Terra Santa, especialmente agora que os judeus estão de volta a ela e se restabeleceram como a nação de Israel dentre a família das nações?” Com informações de Charisma e Beth Shalom



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