MENU

Pastor admite abuso sexual em culto, pede perdão e é aplaudido de pé

Andy Savage disse acreditar que situação tinha sido “resolvida” 20 anos atrás


Andy Savage
Andy Savage

O pastor Andy Savage, 42 anos, da megaigreja Highpoint Church, em Memphis, no estado americano do Tennessee, está no centro de uma controvérsia sobre abuso sexual na igreja. Na esteira do movimento de mulheres que denunciaram terem sido abusadas por diretores e atores famosos de Hollywood, começaram a surgir relatos de situações idênticas em algumas instituições religiosas.

Jules Woodson tinha 17 anos quando afirma que foi atacada por Savage após receber a carona dele até sua casa. Isso aconteceu em 1998, quando ele tinha 22 anos e trabalhava como pastor de jovens da igreja que ela frequentava, em Houston, Texas. Algumas semanas depois, ele se desligou daquele ministério.

Leia mais

Woodson recentemente publicou toda a história em um blog cristão. Ela diz que sentiu-se encorajada após ver personalidades sendo responsabilizadas por seus atos. Em seu relato, conta que foi obrigada a fazer sexo oral com o líder religioso.

“Eu fiz aquilo porque estava com medo, em choque e não entendia o que estava acontecendo”, afirma. Diz ainda que procurou o pastor principal da igreja na época, que a mandou ficar quieta.

Os dois nunca mais se viram e Savage passou por outros ministérios, casou e constituiu família. Agora que a história veio à tona, ele decidiu pedir perdão diante da congregação na Highpoint.

“Enquanto ainda estava na faculdade, no Texas há mais de 20 anos, lamentavelmente tive um incidente sexual com uma aluna do ensino médio daquela igreja”, disse ele. Em seguida, afirmou estar arrependido e disse acreditar que o assunto tinha sido “encerrado” décadas atrás.

Chris Conlee, o pastor principal da megaigreja de Memphis, fez uma oração por Savage e Woodson. “Nos entristece que a senhora Woodson não tenha trilhado o mesmo caminho da cura”, disse ele.

Como a Highpoint transmite os cultos pela internet, o que aconteceu em seguida acabou viralizando. Centenas de pessoas se levantaram a começaram a aplaudi-lo, supostamente como maneira de indicar que o perdoavam e achavam que sua decisão de confessar o pecado era louvável.

Isso durou cerca de 20 segundos, mas foi o suficiente para que as cenas gerassem um intenso debate. Nas redes sociais e em sites cristãos, parece haver um consenso de que a liderança da Highpoint minimizou a seriedade do ocorrido e que os membros não deveriam ter aplaudido Savage, mas sim pedido que ele fosse afastado da posição. A igreja disse que o pedido de perdão havia sido aceito e ele não sofreria nenhuma punição.

O assunto foi destaque em vários jornais importante, como o The New York Times, e na maioria das redes de TV americanas.

Entrevistada, Woodson disse estar “arrasada” com o que viu. “Uma desculpa não muda o fato de que o que aconteceu comigo era contra a lei e que era errado”, disse ela, lembrando que era menor de idade.

Relatou ainda que na noite do incidente, Savage ficou de joelhos e pediu desculpas, mas insistia que ela não falasse a ninguém sobre tudo aquilo.

Apesar do pedido de Woodson, Savage não poderá mais responder pelo crime de abuso sexual, pois ele já prescreveu.

A única consequência imediata da confissão do pastor Savage foi o cancelamento de seu livro sobre casamento. A editora disse que já havia milhares de cópias impressas e ele deveria chegar ao mercado em breve, mas a decisão foi de destruir o material, considerando o que está vindo à luz agora.

Assista:



Assuntos:


Deixe sua opinião!