Pastor diz que se tiver filho gay, foi porque Deus o criou assim

Religioso tenta passar mensagem de aceitação que viola frontalmente os princípios do Novo Testamento que ele deveria ensinar.


Pastor diz que se tiver filho gay, foi porque Deus o criou assim

Circula nas redes sociais um texto atribuído ao pastor John Pavlovitz, da cidade de Wake Forest, Carolina do Norte, EUA. Com o título “Se eu tiver filhos gays: Quatro promessas de um pastor cristão e pai”, o material foi postado em seu blog pessoal em meados de Setembro.

Embora seja cada vez mais comum que textos falsos se espalhem nas redes sociais, esse não é um deles. O blog realmente existe e o pastor possui perfis em diferentes redes sociais e tem dado entrevistas. O que mais tem chamado atenção é que seu texto (segundo o próprio pastor) foi lido mais de um milhão e quinhentas mil vezes nas duas últimas semanas. Grande parte da publicidade que conseguiu não foi de sites evangélicos, mas sim de colunistas gays que usam como “exemplo de amor”.

O pastor se tornou uma daquelas “celebridades instantâneas” da internet. O material já ganhou tradução para dezenas de línguas e foi assunto de várias matérias jornalísticas. Pelo Twitter, Pavlovitz tem comemorado sua explosão de popularidade.

Contudo, uma breve pesquisa mostra que ele não está pastoreando nenhuma igreja. No Facebook ele se apresenta apenas como “escritor”. Seu último trabalho pastoral foi na Igreja Metodista Good Shepard, em Charlotte, Carolina do Norte. Atualmente ele está fundando uma igreja a partir de sua casa e seu site indica que seu sonho é criar uma “igreja virtual” que reúna pessoas de todas as partes.

O texto que o deixou famoso também lhe rendeu muitas críticas, por ir frontalmente contra os ensinamentos bíblicos sobre sexualidade e criação de filhos. A sua resposta tem sido que o “amor está acima de tudo”. Curiosamente, em seus perfis nas redes sociais, ao contrário da maioria dos pastores, ele não escreve mensagens com menções à Bíblia, preferindo falar apenas de bons sentimentos e da beleza da vida.

Ele tem dois filhos, Noah (8) e a menina Selah (4). Em uma entrevista recente a um canal de TV, explicou que escreveu o que pensa ser uma “carta de amor” e que não pretendia criar uma doutrina. Vale lembrar que a Igreja Metodista dos EUA realiza casamentos homossexuais.

No texto polêmico ele pondera “Às vezes eu penso se terei filhos gays. Eu não sei se outros pais pensam sobre isso. Mas eu penso. Com muita frequência. Talvez seja porque eu tenha muitos gays na minha família e círculo de amigos. Está em meus genes e em minha tribo”. Também afirma que, como pastor, acompanhou “histórias de horror de crianças cristãs e gays, dentro e fora do armário, tentando fazer parte da igreja”.

Por mais “sucesso” que a postagem tenha obtido, trata-se de mais um desses casos onde o cristianismo é ridicularizado e cai na generalização. Em geral, a mídia trata toda declaração de líderes cristãos contrários ao estilo de vida gay como “homofobia”. Sendo assim, usa-se uma generalização, deixando implícito que todo evangélico é homofóbico. Agora, ocorre o contrário. Um texto escrito por uma pessoa que não tem uma liderança reconhecida no meio evangélico, é usado para outro tipo de perigosa generalização. O fato de os cristãos defenderem o amor ao próximo não significa que concordam com tudo que as pessoas fazem.

Mais estranho ainda é ver um pastor tentar passar uma mensagem de aceitação que viola frontalmente os princípios do Novo Testamento que ele deveria ensinar.

Lista então 4 promessas:

1) Se eu tiver filhos gays, todos saberão disso

Eu não tentarei colocar um venda nos olhos de todos e eu não pouparei as emoções dos mais velhos, ou dos que se ofendem facilmente ou dos desconfortáveis. A infância já é difícil o suficiente e a maioria dos gays passam sua existência se sentindo horríveis, excruciantemente desconfortáveis. Se meus filhos saírem do armário, sairemos do armário como família.

2) Se eu tiver filhos gays, orarei por eles

Eu não orarei para que eles sejam “normais”. Já vivi o suficiente para saber que, se meus filhos forem gays, este é o normal deles. Eu não orarei para Deus curá-los ou consertá-los. Vou orar para que Deus os proteja da ignorância, do ódio e da violência que o mundo despejará sobre eles simplesmente por eles serem quem são. Vou orar para que Deus lhes coloque um escudo de proteção contra aqueles que os desprezam e querem machucá-los, que os amaldiçoam ao inferno e que os colocam como condenados sem nem mesmo conhecê-los

3) Se eu tiver filhos gays, eu os amarei

Eu não vou amá-los apesar de sua sexualidade nem vou amá-los por causa dela. Vou amá-los simplesmente por serem quem eles são: doces, engraçados, carinhosos, inteligentes, teimosos, originais, lindos e… meus. Se meus filhos forem gays, eles poderão ter milhões e milhões de dúvidas sobre si mesmos e sobre o mundo. Mas nunca terão um segundo de dúvida sobre o amor que seu pai sente por eles.

4) Se eu tiver filhos gays, então, terei filhos gays

Se meus filhos forem gays… isso quer dizer que Deus já os criou, os moldou e colocou dentro deles a semente de quem eles são. O Salmo 139 diz que Ele os formou no útero da mãe. Para mim isso quer dizer que as coisas incríveis e complexas que os fazem almas únicas foi colocado em suas células Eu não acredito que haja uma data mágica de expiração se aproximando, quando eles “se tornarão héteros”.

Por fim, esclarece que além de querer filhos gays (palavra que em inglês quer dizer “alegre”), não descarta a possibilidade de eles serem homossexuais ou transgêneros. Afirma ainda que todo pai cristão deveria pensar sobre como responderá caso seus filhos se assumam como gays um dia.

Curiosamente, um rabino escreveu um texto bastante similar ao de Pavlovitz, em quem confessa ter se inspirado. Ele acrescentou ainda mais 4 promessas. Isso apenas reforça a ideia de que as pessoas só parecem estar dispostas a prestar atenção em discussões religiosas quando elas parecem satisfazer as imposições da sociedade.




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