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Pastor perdoa membro da igreja que matou sua esposa e filho

Sua trajetória de “crise de fé” ao recomeço estão em livro autobiográfico


Família Fergunson
Família Fergunson. (Foto: Cortesia)

O crime ocorreu em 10 de outubro de 2011, mas as marcas na vida do pastor Les Ferguson Jr., da Igreja de Cristo de Lake Harbor, no estado americano do Mississippi, continuam visíveis.

Naquele dia, Ferguson e sua esposa, Karen, comemoravam 24 anos de casados. Enquanto ele pregava em um culto, sua casa foi invadida pelo ex-membro da congregação Paul Ellis Buckman, 70 anos.

O homem matou Karen e o filho do casal, Cole, 21 anos. Depois, voltou para sua casa, onde horas depois cometeu suicídio. Buckman tinha sido acusado pelo pastor de tentar agredir sexualmente seu filho, que tinha paralisia cerebral.

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A jornada de recuperação de Ferguson está registrada no livro Still Wrestling: Faith Renewed Through Brokenness [Ainda na Luta: Fé Renovada Pelo Quebrantamento], onde ele revela as dúvidas que o consumiam após o duplo assassinato.

O pastor disse que não queria mais pregar e tinha dificuldades em confiar em Deus. Pediu afastamento da igreja que pastoreava na época. Foram anos ouvindo de irmãos de fé que ele não abandonasse o seu chamado. “Vocês pegaram um homem destruído, tímido e cheio de incertezas e deram a ele uma chance de recomeçar seu ministério”, agradece ele aos membros da sua igreja atual nas primeiras páginas do livro.

O filho mais novo do casal, Casey, então com 5 anos, só escapou do assassino por que sua mãe corajosamente o enfrentou. Os outros filhos não estavam em casa no momento da invasão.  A uma repórter que o entrevistou no dia do velório duplo, o pastor disse: “Deus não fez isso. Foi uma ação do mal.”

Poucos dias depois, enquanto limpava o sangue da mulher e do filho que manchavam a parede de sua casa, Ferguson decidiu não voltar à igreja que ele liderava havia 13 anos. “Eu não queria que alguém me desse um tapinha nas costas e me dissesse que tudo ficaria bem”, revela. “Eu não queria que alguém citasse um versículo da Bíblia para mim. Eu só queria ficar sozinho”.

Sua decisão foi entregar o cargo e voltar para Vicksburg, cidade a cerca de 300 km de distância, onde tinha passado a adolescência e moravam seus parentes. Durante meses, começou a escrever como uma maneira de se lidar com seu sofrimento. Decidiu iniciar um blog chamado “Querendo Desesperadamente Crer de Novo”, onde expressava sua luta contra a falta de fé. Esse foi o material que serviu como base para seu livro de 224 páginas, publicado agora.

“Na verdade, eu nunca deixei de crer”, disse Ferguson. “O nome provavelmente deveria ter sido Querendo Desesperadamente Confiar de Novo, porque era mais sobre minha jornada ao tentar confiar em Deus novamente”, explica.

O recomeço

Após mais de um ano de luto, o pastor reencontrou uma antiga namorada, Becki Berryman, que vivia em Vicksburg. Viúva e mãe de dois adolescentes, eles descobriram que ainda tinham muito em comum. Acabaram casando e formando uma nova família.

Quando a Igreja de Cristo de Lake Harbor começou a procurar um novo pastor, na primavera de 2014, o nome de Ferguson foi sugerido. Os líderes daquela congregação viram nele alguém com o perfil que procuravam, independentemente da sua tragédia pessoal.

Greg Palmer, um dos diáconos, revela que “nos sermões dele pudemos ver que ele havia se recuperado e seu testemunho teve um grande impacto sobre nós”.

Não foi só a decisão de perdoar o assassino, mas toda a sua luta para superar as adversidades e continuar servindo. “Não importa o quanto estejamos quebrados, não importa o quão difícil seja a vida, Deus ainda está ao nosso lado”, ressalta, “só precisamos continuar crendo nele”.

“Deus achou por bem usar todo as minhas feridas interiores e me tornou um pastor mais compassivo e cheio de graça”, testemunha Ferguson. “Por mais que eu gostaria que não ter experimentado tanta dor e sofrimento… jamais poderia ter imaginado que experimentaria uma vida tão abençoada como tenho agora.”

O pastor John Dobbs, amigo de longa data de Ferguson, disse estar feliz por ver o colega de ministério estar pregando novamente. “Sei que em vários momentos ele vivia como alguém esmagado por suas derrotas. O luto corre como um rio sob a vida cotidiana. Mas em seus momentos difíceis, Ferguson, com a ajuda de Deus, transformou as armas de Satanás contra ele e as transformou em ferramentas nas mãos do Salvador”.

Dobbs, que perdeu um filho em um acidente de trânsito, diz que as tragédias da vida de um cristão só poderão ser totalmente compreendidas no dia da ressurreição. Com informações Charisma News



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