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Pastor é preso na Venezuela por distribuir remédios e comida

“Este governo procura humilhar e difamar a Igreja de Cristo a qualquer custo”, denuncia líder evangélica.


Pastor Marcelo Coronel
Pastor Marcelo Coronel. (Foto: Arquivo Pessoal)

Devido à censura imposta aos meios digitais pelo regime ditatorial de Nicolás Maduro na Venezuela, informações sobre o que acontece nas últimas semanas estão restritas ao que o governo permite ser publicado.

Em contato com o Gospel Prime, uma líder evangélica venezuelana revela que o pastor Marcelo Coronel, da igreja Rey de Paz, da cidade de Mérida, e alguns membros de sua equipe ministerial foram presos.

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Acusados de “prática ilegal”, eles estavam entregando medicamentos e alimentos que receberam como doação. Existe um rígido controle nacional sobre qualquer distribuição que não passe pelo sistema público.

A líder evangélica, que não pode ter seu nome divulgado por questões de segurança, dá conta que Coronel continua preso, sem previsão de julgamento. Ele é o presidente da Confraternidad de Pastores de Mérida, que reúne as lideranças evangélicas da sua cidade.

Uma médica cristã iria fazer atendimentos e ministrar os remédios como parte de um trabalho social da igreja. Acabou sendo presa e, sob ameaças, divulgou quem eram os pastores que a estavam ajudando.

O Corpo de Investigações Científicas, Penais e Criminais procurou pelo pastor Marcelo e sua esposa e os levou à delegacia. Sua esposa, a pastora Ana María, foi libertada um dia depois, após ser interrogada.

A cristã contatada pelo Gospel Prime relata que “a perseguição à Igreja está aumentando. Eles estão fechando estações de rádio e acabando com a mídia não oficial”. Ela explica ainda que existe uma questão política por trás disso tudo.

“As igrejas evangélicas na Venezuela estão legalmente registradas como associações civis sem fins lucrativos. Contudo, as leis mudaram e agora todas as associações civis devem pagar impostos. Esse foi um ataque direto à igreja do Senhor.”

Nos últimos meses, diversos pastores foram para a prisão ou detidos para interrogatório. Um dos casos mais emblemáticos é do pastor Benito Dumont, que foi acusado de “conspirar contra o governo” e condenado porque tinha armas em casa.

Contudo, ele era policial e o armamento apreendido era de uso profissional. Como não havia provas contra ele, acabou liberado após mais de uma semana de reclusão.

“Este governo procura humilhar e difamar a Igreja de Cristo a qualquer custo”, lamenta a líder evangélica. Ela conta que todas as atividades públicas são controladas pelo governo local. Para fazer um culto ao ar livre ou um evento evangelístico é necessário pedir autorização. Via de regra são negadas quando o requerente é evangélico.

Em tom de desabafo, ela afirma que “na Venezuela vivemos em um sistema de governo baseado no terror. Há muitas coisas acontecendo, mas não podemos publicar para que não tenhamos mais problemas”.



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