MENU

“Pastora” luterana usa a Bíblia para defender o aborto no STF

Lusmarina Campos foi na direção oposta dos demais líderes evangélicos


Lusmarina Campos
Lusmarina Campos Garcia durante Audiência Pública sobre descriminalização do aborto. (Foto: Carlos Moura/SCO/STF)

Após cerca de 12 horas de exposições, terminou o segundo dia da audiência pública no STF que debateu a legalização do aborto. Para os analistas, o debate foi desequilibrado, uma vez que a maioria dos pronunciamentos foi favorável à legalização do aborto. Como a escolha de quem falaria é do Supremo ficou evidenciado que havia um viés.

A parte da manhã foi reservada aos líderes religiosos inscritos. Alguns, como a federação budista e uma entidade afro acabaram não aparecendo para falar.

Leia mais

Quando o rabino Michel Schlesinger assumiu a tribuna para falar em nome da Confederação Israelita do Brasil, afirmou que havia justificativa bíblica para eliminar o nascituro em outros casos além dos previstos na lei brasileira (incesto, gravidez na infância, etc.).

A ONG Católicas pelo Direito de Decidir, que não tem nenhuma ligação oficial com a Igreja Católica tentou alegar que a Santa Sé “poderia mudar sua posição sobre o aborto como o fez com a questão da pena de morte”. Contudo, o argumento de sua representante, Maria José Fontelas Rosado Nunes, não se sustenta, pois o papa Francisco já comparou mais de uma vez o aborto ao que os nazistas faziam, mas agora com “luvas brancas”.

Surpreendentemente, a pastora luterana Lusmarina Campos Garcia, do Instituto de Estudos da Religião usou a Bíblia para tentar justificar o aborto. Entre seus argumentos, disse que falava “numa leitura hermenêutica das Escrituras a partir da perspectiva de gênero”.

Usando trechos de Êxodo e Números fora de seu contesto, deturpou o trecho conhecido do Salmos 139 sobre Deus formando a vida no ventre da mãe. “O aborto não é condenado na Bíblia, pois não é considerado nem pecado, nem crime”, insistiu, acrescentando que “não há determinação bíblica de quando a vida começa”.

Lusmarina disse que o texto do 5º mandamento, o “Não matarás”, é uma flagrante distorção do texto bíblico, não podendo ser usado para um feto. Disse ainda acreditar que “as religiões deveriam aceitar o aborto”.

Líderes contrários ao aborto

Na primeira fala do dia, a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil questionou a legitimidade da corte para promover o debate e a imparcialidade na condução dos trabalhos.

Dom Ricardo Hoerpers enfatizou a posição da CNBB contrária ao aborto. Depois, o padre José Eduardo reclamou que os defensores do aborto como direito tiveram “mais tempo e mais representantes”, mostrando um desrespeito ao direito ao contraditório.

A advogada Edna Vasconcelos Zilli, representante da Associação dos Juristas Evangélicos (Anajure), defendeu a incompetência do Poder Judiciário para julgar a matéria. Especialista em estado constitucional e liberdade religiosa, ela afirmou que caberia somente ao Poder Legislativo discutir possíveis alterações no tratamento do crime de aborto.

O pastor Lourenço Stelio Rega, representante da Convenção Batista Brasileira, manifestou-se contrário, usando argumentos teológicos e biológicos, lembrando que o embrião não é uma parte do corpo da mãe, como alegam a maioria dos grupos pró-escolha.

Já o representante da Convenção Geral das Assembleias de Deus, Douglas Roberto de Almeida Baptista usou, além da Bíblia, o artigo 5º da Constituição para argumentar que o feto tem direito à vida.



Assuntos: , ,


Deixe sua opinião!