Pedidos de “paz” não irão proteger a Europa, alerta especialista

Jornalista italiano traça histórico recente de atentados


Pedidos de "paz" não irão proteger a Europa

Giulio Meotti, jornalista e editor cultural do periódico italiano Il Foglio, vem se transformando em uma das vozes mais atuantes na imprensa europeia quando o assunto é o perigo da islamização. Católico, ele faz análises constantes em textos abordando o ponto de vista histórico, mas também ideológico que embasam os ataques terroristas.

Em seu texto mais recente, Meotti reescreveu a conhecida frase de Leon Trotsky para resumir o cenário nos dias de hoje: “Você pode não estar interessado em lutar contra a jihad, mas a jihad está interessada em lutar contra você”.

Após acontecerem dois atentados terroristas na Espanha, um na Finlândia e um na Alemanha no intervalo de 48 horas, as poucas manifestações públicas que se viram nas ruas europeias foram milhares de espanhóis fazendo símbolos pacifistas e gritando as palavras de ordem “não tenho medo”.

Contudo, o medo existe. Via de regra, após atentados recentes, a reação das pessoas foi acender velas, usar hashtags e depositar flores nos locais das mortes. A maioria da população entregou nas mãos das autoridades a responsabilidade de fazer alguma coisa. Estas, por sua vez, insistem no mesmo discurso de que a religião islâmica nada tem a ver com os assassinatos.

“Os terroristas não precisam de uma desculpa para matar de “infiéis”, lembra Meotti. O jornalista aponta que a série mais recente de ataques islâmicos contra cidadãos da Espanha, da Alemanha e da Finlândia desmascararam um mito moderno: o pacifismo não irá protegerá a Europa da islamização nem dos terroristas.

Entre as causas mais comuns apontadas pelo Estado Islâmico (ou seus simpatizantes) é o papel dos países atacados nas guerras contra islâmicos no Oriente Médio e na África. Porém, as posturas de Espanha, Alemanha e Finlândia são bastante diferentes nesse aspecto.

O governo finlandês, por exemplo, possui um longo histórico de não envolvimento em guerras e nem sequer participa da OTAN, que apoia os esforços antijihadistas liderados pelos EUA na Síria e no Iraque.

O caso da Alemanha é diferente, uma vez que o país vive uma grave crise interna, tentado absorver centenas de milhares de imigrantes islâmicos. Em um discurso, a premiê Angela Merkel demonstrou qual sua verdadeira preocupação.

“Pelo fato de as pessoas com origem estrangeira serem importantes, não quero que sejam feridas em debates desnecessários. Não devemos permitir imagens infundadas, a consolidação dos preconceitos e marginalizações”, pediu.

O quadro na Espanha é ainda mais confuso, uma vez que após o último grande atentado no país, realizado pela Al-Qaeda em 2004, o Partido Socialista, que ganhou as eleições naquele ano, decidiu pela retirada das tropas espanholas do Iraque.

“Desde então, a Espanha tem sido quase inexistente na arena internacional. Provavelmente assumindo que o pacifismo o protegia de novos ataques, a Espanha era considerada como “a frente esquecida na guerra europeia do ISIS”, avalia Meotti.

Ao contrário da França e Reino Unido, que estão ‘na linha de frente’ dos combates no Oriente Médio, os espanhóis não criaram grandes “guetos multiculturais”, onde imigrantes islâmicos sentem-se à vontade para defender a sharia abertamente. Mesmo assim foram atacados.

Para os terroristas muçulmanos, um país que defende abertamente o multiculturalismo e a aceitação dos islâmicos – como a Alemanha – merece viver o mesmo banho de sangue de uma nação alheia às grandes questões militares do momento – como a Finlândia.

Qual a justificativa para os ataques em solo espanhol? O fato de parte de seu território ter ficado sob domínio islâmico até a Reconquista cristã, que culminou com a expulsão dos mouros em 1492.

Mais de 500 anos depois, “a triste conclusão parece ser que os jihadistas não precisam de ‘motivos claros’ para matar os ocidentais”, pontua Menotti, que termina seu artigo citando a análise do filósofo francês Pascal Bruckner.

“Ninguém está imune… A extensão do campo da luta jihadista é universal. Os terroristas acusam o mundo inteiro pelo seu fracasso. Eles baterão onde puderem. Tentar agradá-los é esforço em vão, pois a nossa própria existência já é insuportável para eles”.

Não por acaso, em cima de todas as mesquitas do mundo está presente o mesmo símbolo: o hilal (lua crescente). Segundo os planos de Maomé, seu fundador, o islamismo seria como a luz da lua que vai crescendo com o tempo até ficar ‘cheia’. Ou seja, ele sempre pretendeu se espalhar por toda a terra, até que o planeta fique ‘cheio’ da sua lei sagrada. E a arma mais eficaz que eles dispõem para isso é a sharia.




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