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Geleira sexista: Pesquisadores expõem ideologização de artigos científicos

Cientistas revelam como estudos sem base factual influenciam a mídia e os ativistas de esquerda


James Lindsay, Helen Pluckrose e Peter Boghossian
James Lindsay, Helen Pluckrose e Peter Boghossian. (Foto: Quillete)

O meio acadêmico afeito a ideologizar tudo e chamar isso de “ciência” está em polvorosa. Três pesquisadores norte-americanos decidiram expor a farsa que são algumas revistas científicas e decidiram publicar, propositadamente, artigos fraudulentos.

Seu objetivo, explicam, era mostrar “como se vende ideologia como se fosse ciência”. Os doutores James Lindsay, Peter Boghossian e Helen Pluckrose vinham produzindo o que chamavam de “Grievance Studies”.

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Literalmente, seria algo como “Estudos do Ressentimento”, mas o termo que melhor os descreve seria “vitimização”. Segundo mostraram em uma série de vídeos, pretendiam demonstrar que a produção acadêmica nas ciências sociais era imprecisa, sem base factual e acabava influenciando a mídia – que a repercutia – e aos ativistas, que as citavam como “comprovação científica” do que defendem.

Os três autores mergulharam na literatura científica e por mais de um ano produziram artigos científicos estapafúrdios e com gritantes falhas metodológicas. Alguns eram eticamente absurdos. A premissa era que tudo seria aceito desde que se conformasse com a ideologia dominante naquela área de estudo.

Merece destaque o fato de que eles se propuserem, em alguns artigos, a falsificar o “trabalho de campo”, conferindo às suas conclusões uma pretensa base sólida. Estes artigos científicos fraudulentos receberam o aceite de revistas tidas como sérias, que não pediram qualquer tipo de comprovação do que eles alegavam.

Lindsay, Boghossian e Pluckrose admitem que estavam colocando sua credibilidade acadêmica em risco ao assinarem tais pesquisas, mas queriam denunciar a total falta de critérios das publicações, comprovando que bastava adaptar-se à linguagem e aos argumentos conhecidos dos movimentos ideológicos de esquerda para terem o aceite.

Cachorros opressores

Eles produziram 20 artigos, dentre os quais 7 já estão publicados e 4 foram aceitos pelas editoras. Contudo, o projeto acabou tendo um fim prematuro. O primeiro artigo que publicaram acabou chamando tanta atenção que o Wall Street Journal resolveu investigar o assunto, expondo a farsa numa reportagem investigativa.

O artigo em questão recebeu o título de “Human Reactions to Rape Culture and Queer Performativity in Urban Dog Parks in Portland”, versando literalmente sobre as “reações humanas à cultura de estupro no meio de cães que praticam coito em público”. Publicado na prestigiada revista Gender, Place & Culture, que se descreve como “feminista”.

A falsa pesquisa aborda como os parques são espaços que promovem a “cultura do estupro”, onde cachorros se relacionam com cadelas no cio. Mais precisamente, enfoca como os donos reagem quando os cães iniciam a relação com as cadelas e quando tentam praticar atos sexuais em outros cães (pretensamente gays) em um parque na cidade de Portland, um dos bastiões progressistas dos EUA.

O referencial teórico dos autores é a “criminologia feminista negra”. Sua conclusão é que tanto os cães, como seus donos, deveriam ser “treinados para terem comportamentos de gênero mais equilibrados, respeitando tanto as fêmeas como os machos gays. Assim, os parques se transformariam em espaços de emancipação”.

O que chamou a atenção do Wall Street Journal foi a estatística de que ocorria um estupro canino por hora no parque em questão.

Geleira sexista

Um dos artigos fraudulentos, publicado na revista Progress in Human Geography com o título “Glaciers, gender, and science: A feminist glaciology framework for global environmental change research” faz elaborações ideológicas sobre geleiras.

Eles fazem uma abordagem feminista sobre o conhecimento que temos sobre glaciologia, o estudo das geleiras. Em outras palavras, apresentam uma glaciologia feminista.

O primeiro parágrafo da conclusão assegura: “Gelo não é apenas gelo. A forma dominante como as sociedades ocidentais o entendem através da ciência da glaciologia não é uma representação neutra da natureza. A abordagem feminista da glaciologia chama a atenção para aqueles que dominam e determinam a produção do conhecimento glaciar, para o discurso sexista da ciência e do conhecimento e da forma como a dominação colonial, militar e geopolítica co-constituem o conhecimento sobre a glaciologia.”

Nazi-feminismo

Possivelmente o maior exemplo de uma ideia absurda sendo aceita para publicação em uma reputada revista acadêmica foi o artigo “Our Struggle is My Struggle: Solidarity Feminism as an Intersectional Reply to Neoliberal and Choice Feminism”. Os três pesquisadores reescreveram o capítulo 12 do livro “Minha Luta” [Mein Kampf], de Adolf Hitler, usando terminologia feminista.

Em suma, os três pesquisadores adaptaram conhecidos argumentos nazistas para defender a necessidade de um “feminismo solidário que combata a opressão”. O artigo foi publicado na revista Affilia: Journal of Women and Social Work, bastante prestigiada na área de “Estudos Feministas”.

O apelido “feminazi”, visto como um insulto quando usado contra feministas radicais, ganhou uma nova vida com esta publicação, acreditam seus autores.

Politização da ciência

Outros artigos são puro nonsense, como o que propunha uma nova modalidade esportiva, chamado de “fisiculturismo gordo”, onde receberia um troféu a pessoa que estivesse com o corpo mais fora de forma.

Porém, no vídeo que James Lindsay, Peter Boghossian e Helen Pluckrose gravaram para explicar sua motivação e o processo seguido por eles, fica claro o quanto eles desprezam a politização da ciência.

Eles riem dos editores que aceitaram os artigos e das reações dos leitores. Em determinado ponto asseguram que, pessoalmente, eles se identificam com o pensamento de esquerda, mas que o fato de os “Grievance Studies” serem levados a sério pelo mundo acadêmico é preocupante.

Os pesquisadores deixam claro que “Eles não nos representam” e questionam quais os rumos desse tipo de publicação após toda a farsa ser exposta. Algumas revistas já publicaram notas explicativas, outras preferiram ignorar a controvérsia e mantiveram os artigos no ar.

Não há dúvidas que lá, como cá, esse tipo de “conhecimento científico” é politicamente influente. Logo, torna-se perigoso. Eventualmente são citados por jornalistas como base para suas reportagens que também assumem tons ideológicos.

Estatísticas infladas, dados distorcidos, imposição de uma agenda que ignora todas as indicações factuais contrárias não devem acabar após a exposição mundial de como é relativamente fácil fraudar estudos e receber reconhecimento acadêmico, mas certamente nos oferecem agora um contra-argumento toda vez que houver uma tentativa de uso de pseudociência para ativismo político.

Assista (em inglês)!



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