PF prende pastores na Operação Ouro de Ofir

Golpe prometia rendimentos milionários aos fiéis


PF prende pastores na Operação Ouro de Ofir

A Polícia Federal (PF) deflagrou nessa semana a operação Ouro de Ofir, que investiga um golpe, através de uma instituição financeira clandestina, que prometia lucros exorbitantes às vítimas. O negócio, que envolvia um suposto “ouro do império” e antigas “letras do Tesouro Nacional” tinha como intermediários pastores evangélicos.

A organização criminosa aplicou o golpe milionário em pelo menos 25.000 pessoas em todo o país. O delegado federal Guilherme Farias afirma que “A característica principal da fraude está em atingir a fé das pessoas e na sua crença em um enriquecimento rápido e legítimo, levando-as a crer, inclusive, que tal mecanismo seria um ‘presente de Deus aos fiéis’, ou seja, trazendo a fé religiosa para o centro da fraude. A maneira mais prática de explicar isso talvez seja a crença de que contra a fé não há fatos nem argumentos”. Ele acredita que muitas dessas vítimas “não estão interessadas em entender, pensar ou se informar – só estão interessadas em acreditar. E é exatamente neste ponto que a fraude tomou proporções inimagináveis e ganhou território”.

As investigações mostram que os criminosos usavam redes sociais como Facebook e Whatsapp para transmitir informações sobre as supostas “oportunidades” de negócio. Esses “corretores” repassavam informes e áudios para atrair “investidores”.

Eram diferentes narrativas apresentadas às vítimas, a maioria evangélicos. Elas davam conta que uma família de Campo Grande (MS) teria direito aos lucros sobre a venda de centenas de toneladas de ouro do tempo do Brasil imperial (1882-1889). Para repatriar esses valores será necessário um acordo com uma ‘Corte Internacional’. Haveria, contudo, uma condição: 40% do dinheiro devia ser doado a terceiros. As vítimas eram convidadas a “investir” para arcar com os custos da transação e posteriormente seriam recompensadas.

Com uma estrutura similar, as vítimas contribuíam para a ‘recuperação de antigas letras do Tesouro Nacional’. A partir de R$ 1.000 de investimento, lhes era prometido um grande lucro. Obviamente, em nenhum dos casos, as pessoas receberam o que foi prometido. A polícia identificou quem tenha dado mais de R$ 20.000 ao grupo.

O mentor do golpe era Sidinei dos Anjos Peró, conhecido como Dr. Peró. Ele afirmava ser juiz arbitral. Contudo, era só fachada. “Juiz arbitral é um cargo que não existe. Um árbitro existe em Câmaras de negociação, não é um cargo público. O que eles queriam era status”, afirma Guilherme Guimarães Farias, o delegado que conduz as investigações.

Foi Sidinei quem decidiu chamar pastores evangélicos para vender esses aportes de sua operação aos fiéis das igrejas.

Os investigadores dizem que uma das características para envolver as pessoas eram   mensagens do tipo: “vocês tem que acreditar”; “vocês foram os escolhidos”; “aguardem que a benção virá”, “tenham paciência que isso é uma dádiva de Deus”.

“Vários pastores são citados nos grupos, dos mais diversos estados brasileiros”, relata.

A PF diz afirma que além de Sidinei dos Anjos Peró, outro líder de destaque no esquema era o pastor Gleison França do Rosário, que funcionava como “corretor” na região de Primavera do Leste, no Mato Grosso. Ele costumava postar vídeos que mostravam conhecimento de como funcionavam as igrejas evangélicas.

Outro pastor envolvido no esquema era Ademir Reis, líder da Igreja Batista Independente de Primavera do Leste. À polícia, ele afirmou em outro momento que agiu de boa fé, pois tinha uma “revelação”.

“Eu acredito na licitude deste contrato, pois já existe prova documental e, além disso, eu creio na palavra de Deus, onde diz que Jonas foi engolido por uma baleia e vomitado. Se no livro sagrado estivesse escrito que ele engoliu a baleia, eu teria confiado. Como profeta de Deus, recebo confirmações, e não posso duvidar, porque se não tenho que rasgar meu manto ungido”, afirmou. Naquela cidade, cerca de 500 pessoas foram vítimas do golpe.

O nome da operação faz referência a uma passagem Bíblica que descreve o ouro da cidade de Ofir como finíssimo, puro e raro, sendo o mais precioso metal da época. Com informações Estadão




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